sexta, 4 de setembro de 2026

Diagnóstico tardio afeta cerca de 25% dos pacientes com esclerose múltipla no Brasil

Um levantamento inédito realizado pela HSR Health em parceria com a Roche Farma e divulgado pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) aponta que aproximadamente um quarto dos brasileiros com esclerose múltipla leva mais de cinco anos para obter a confirmação do diagnóstico. Publicado como parte das ações de conscientização do Agosto Laranja, o estudo ouviu 368 pessoas em tratamento pelo país e revelou que a demora em identificar a doença agrava o risco de sequelas físicas irreversíveis no sistema nervoso.

De acordo com os dados apresentados, mais de 56% dos entrevistados receberam algum parecer médico incorreto antes do diagnóstico definitivo, e cerca de 14% aguardaram uma década ou mais para descobrir a enfermidade. Especialistas em neuroimunologia alertam que o tempo perdido entre o surgimento dos primeiros sintomas e a confirmação diagnóstica compromete a reserva funcional do cérebro e da medula. Esse atraso ocorre frequentemente porque manifestações iniciais, como dormências, alterações na visão ou fadiga intensa, são confundidas com quadros de ansiedade ou problemas ortopédicos e oftálmicos simples.

Estimativas da ABEM indicam que a esclerose múltipla atinge cerca de 40 mil pessoas no Brasil, afetando principalmente mulheres jovens entre 20 e 40 anos. Trata-se de uma condição autoimune e crônica na qual o próprio sistema imunológico agride a camada protetora das fibras nervosas, prejudicando a comunicação neural. Embora não haja cura, o avanço das terapias modernas permite conter a progressão da incapacidade motora quando o tratamento é iniciado precocemente, preservando a qualidade de vida e a autonomia dos pacientes no mercado de trabalho e no convívio social.

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