sexta, 19 de junho de 2026

Diagnóstico precoce ajuda cerca de 30 mil bebês que nascem com problemas no coração por ano no Brasil

A cada ano, cerca de 30 mil crianças nascem no Brasil com algum tipo de malformação no coração, condição conhecida como cardiopatia congênita. O alerta ganha destaque nesta sexta-feira, dia 12 de junho de 2026, data em que se celebra o Dia Nacional de Conscientização sobre a doença. Apesar de ser uma das principais causas de mortalidade infantil por malformações corporais, especialistas trazem um panorama animador: o acesso ao diagnóstico e ao tratamento especializado está avançando no país, oferecendo a milhares de famílias a chance de verem seus filhos crescerem com qualidade de vida.

A cardiopatia congênita engloba um conjunto de diferentes problemas na estrutura do coração que se desenvolvem ainda durante a gestação, enquanto o bebê está na barriga da mãe. Segundo estimativas globais, o problema afeta cerca de 1% de todos os recém-nascidos vivos, sendo que 30% desses casos exigem cuidados médicos imediatos logo nos primeiros meses de vida. A médica Renata Mattos, coordenadora de cardiologia infantil do Instituto Nacional de Cardiologia, explica que, embora a Região Sudeste ainda concentre maior facilidade de atendimento do que a Região Norte, a identificação do problema tem evoluído no cenário nacional.

Um dos grandes aliados dos médicos e das famílias tem sido o diagnóstico fetal, feito antes mesmo do nascimento. Salvo raras exceções onde cirurgias são feitas com o bebê ainda no útero, descobrir a cardiopatia na gravidez serve principalmente para planejar o parto. Sabendo da gravidade, a equipe médica pode encaminhar a gestante para um hospital que disponha de UTI neonatal, cateterismo ou estrutura para cirurgias imediatas. Caso a malformação seja leve, a mãe segue a gestação com tranquilidade e mantém o planejamento original do parto.

Para os casos que não são descobertos durante a gravidez, os pais precisam ficar atentos aos sinais emitidos pelo recém-nascido no dia a dia. Dificuldade extrema para ganhar peso, cansaço excessivo ou falta de fôlego durante a amamentação e uma respiração muito acelerada são motivos para procurar um cardiopediatra. Outro indicativo clássico de problemas na oxigenação do sangue é quando o bebê fica com uma coloração arroxeada nos lábios e na ponta do nariz. Em crianças mais velhas, queixas de dores no peito ou palpitações devem ser investigadas.

Histórias de superação mostram que o tratamento adequado transforma vidas. É o caso de Nathan Senna Alves, hoje com 30 anos. Diagnosticado com uma cardiopatia grave ao nascer, ele foi acolhido pela instituição Pró Criança Cardíaca, que há três décadas oferece atendimento gratuito no Rio de Janeiro e já atendeu mais de 16 mil jovens. Nathan passou por três cirurgias ao longo da vida para trocar válvulas do coração — aos 2, aos 6 e aos 18 anos —, e hoje leva uma rotina normal, é casado e tem um filho. A médica Rosa Célia, fundadora do projeto social, reforça que quando há diagnóstico rápido, a doença não define os limites do futuro da pessoa. Hoje em dia, os médicos inclusive incentivam a prática de atividades físicas para esses pacientes, que chegam à vida adulta precisando apenas monitorar os problemas comuns da idade, como colesterol e pressão alta.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde oferece todo o suporte necessário para o enfrentamento da doença de forma integral. A assistência começa no pré-natal com o exame de ecocardiograma fetal, indicado pelo Ministério da Saúde para ser feito entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez. Logo após o nascimento, ainda na maternidade, todos os bebês passam obrigatoriamente pelo teste do coraçãozinho, um exame rápido na pele que mede a oxigenação e aponta possíveis problemas graves em menos de 48 horas. Caso alguma alteração seja detectada, a criança ingressa na linha de cuidado do SUS, garantindo exames, consultas e cirurgias de alta complexidade sem custos para a família.

Notícias relacionadas