terça, 14 de julho de 2026

Dia Mundial do Chocolate: Mercado brasileiro cresce com cadeia completa e potencial de expansão

O chocolate faz parte da rotina dos brasileiros há muitas décadas e o país se destaca como um dos poucos mercados no mundo que reúne toda a cadeia produtiva. Isso significa que o processo completo acontece em território nacional, desde a plantação do cacau pelos agricultores e a moagem do fruto até a fabricação do produto final pelas indústrias. Para celebrar o Dia Mundial do Chocolate, comemorado nesta terça-feira, dia 7 de julho, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Jaime Recena, destacou o crescimento constante do setor e o esforço do mercado para trazer novidades todos os anos aos consumidores.

A produção nacional vem mostrando fôlego nos últimos anos. Em 2024, as indústrias brasileiras fabricaram 805 mil toneladas de chocolate, número que subiu para 814 mil toneladas no ano passado. Embora o balanço oficial de 2026 só vá ser fechado no fim do ano, a expectativa da Abicab é de que o volume continue em uma trajetória de crescimento. Atualmente, cada brasileiro consome quase 4 quilos de chocolate por ano. Apesar de o doce estar presente em todos os municípios do país — com marcas nacionais abastecendo desde grandes redes até pequenos mercados de bairros em cidades do interior —, o setor enxerga uma enorme oportunidade de expansão. Isso porque mercados consolidados na Europa e nos Estados Unidos registram um consumo per capita muito maior, variando entre 9 e 10 quilos anuais por habitante.

A maior parte de tudo o que é produzido no país tem como destino o mercado local. Em 2025, o setor movimentou R$ 42,5 bilhões, impulsionado principalmente pela venda de chocolates finos, inovações e pelo consumo constante fora do período tradicional da Páscoa. No comércio exterior, o Brasil enviou 37,8 mil toneladas de chocolate para cerca de 168 países no ano passado, arrecadando mais de 210 milhões de dólares. No primeiro trimestre de 2026, as exportações já atingiram 7,7 mil toneladas. Os principais compradores vizinhos são a Argentina, o Chile e o Paraguai, mas a indústria já mira o mercado europeu com mais atenção devido ao acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia, além de registrar um avanço nas vendas para os países árabes. Através de uma parceria que já dura duas décadas com a Apex-Brasil, o foco tem sido promover chocolates com maior teor de cacau e sabores típicos brasileiros, ajudando também os pequenos fabricantes a ganharem espaço no exterior.

O setor de chocolates também se consolida como um grande gerador de empregos no Brasil, sustentando cerca de 450 mil postos de trabalho nas empresas associadas à Abicab, instituição que representa 96% dos fabricantes de chocolate do país. A Páscoa funciona como o grande motor de contratações do segmento. Na temporada de 2026, o número de vagas temporárias deu um salto significativo, subindo de 9.946 registradas no ano anterior para 14.558 oportunidades. De acordo com a associação, cerca de 30% desses trabalhadores temporários acabam sendo efetivados. O período festivo deste ano também foi marcado por uma forte movimentação comercial, trazendo mais de 130 novos produtos ao mercado, o que reforça que o chocolate deixou de ser um item sazonal e passou a ser visto como um presente ideal e um produto diário acessível para todas as faixas de renda.

Na outra ponta da cadeia, o cenário é de adaptação e busca por valorização. A produção de cacau gerou mais de 603 milhões de dólares ao país no ano passado, com o envio de 53,5 mil toneladas para o exterior. No primeiro trimestre de 2026, as exportações da amêndoa somaram 12,7 mil toneladas. No entanto, o mercado interno do fruto enfrenta oscilações. Segundo a Coopfesba, uma cooperativa de agricultura familiar da Bahia, a safra de 2024/2025 foi excelente e vendeu 80 mil toneladas de cacau a R$ 1.100 a arroba. Atualmente, o preço pago pela indústria está em torno de R$ 330 a arroba por conta de flutuações do mercado, e os produtores aguardam a chegada da nova safra em setembro, torcendo para que as chuvas ajudem a valorizar o produto novamente.

Como alternativa para agregar valor ao trabalho no campo e ajudar na preservação da Mata Atlântica no sul da Bahia, a cooperativa fundou em 2010 a Bahia Cacau, considerada a primeira fábrica de chocolate da agricultura familiar no Brasil. Localizada em Ibicaraí, a marca produz chocolates de alta qualidade com teor de cacau que varia entre 35% e 70%, misturando sabores regionais como o cupuaçu. O negócio expandiu suas fronteiras e hoje vende para estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Rio Grande do Sul, além de ter iniciado exportações para Portugal no ano passado. Para garantir ainda mais segurança a quem produz e a quem consome, os agricultores comemoram a aprovação de uma nova lei sancionada em maio deste ano. A legislação, que passará a valer a partir de maio de 2027, obriga os fabricantes nacionais e importadores a exibirem claramente no rótulo o índice total e o percentual mínimo de cacau contido em cada chocolate, trazendo mais transparência para o mercado.

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