


A celebração do Dia Nacional do Orgulho Lésbico traz à tona as lutas e reivindicações de mulheres por visibilidade, segurança e garantia de direitos no país. A data busca alertar a sociedade sobre o combate à lesbofobia e marcar a resistência contra o preconceito. Dados do LesboCenso Nacional revelam que cerca de oito em cada dez mulheres lésbicas enfrentam episódios diários de violência no Brasil, sendo o assédio moral e o assédio sexual as manifestações mais frequentes relatadas pelas entrevistadas.

Em entrevista sobre o panorama social e econômico do movimento, a assistente social e coordenadora política nacional da Articulação Brasileira de Lésbicas, Michele Seixas, destacou que o acesso à saúde pública de qualidade permanece como uma das principais barreiras enfrentadas pela população lésbica. Segundo a especialista, o atendimento no Sistema Único de Saúde ainda carece de capacitação profissional e de sensibilidade para acolher as especificidades desse público. Entre as reivindicações prioritárias está a obrigatoriedade do preenchimento da orientação sexual na anamnese clínica, campo que permitiria direcionar melhor os cuidados de saúde, além da ampliação do acesso às técnicas de reprodução assistida na rede pública.
A inclusão e a permanência no mercado de trabalho formal representam outro gargalo crítico apontado pelo movimento social. Lésbicas que não performam a feminilidade tradicional ou que desafiam padrões estéticos de gênero sofrem maior rejeição em processos seletivos, situação que se agrava quando combinada ao racismo. A escassez de dados oficiais produzidos pelo Estado sobre a população lésbica também dificulta a formulação e o acompanhamento de políticas públicas específicas, fazendo com que o país dependa majoritariamente de mapeamentos acadêmicos e de organizações independentes para mensurar essas desigualdades.











