domingo, 4 de outubro de 2026

Devastação e secas extremas na Amazônia ameaçam a “máquina de chuva” da América do Sul

A Floresta Amazônica opera como o principal motor do ciclo hídrico da América do Sul, funcionando como uma verdadeira “máquina de chuva” responsável por abastecer rios, lavouras e cidades em grande parte do continente. O processo ocorre por meio dos chamados rios voadores: a umidade que vem do Oceano Atlântico vira chuva sobre o bioma, é absorvida pelo solo e posteriormente lançada de volta à atmosfera em forma de vapor de água pelas árvores, sendo espalhada pelo vento para diversas regiões.

Durante a última edição do evento TEDxAmazonia, realizado no Equador, pesquisadoras e especialistas alertaram para o impacto direto do desmatamento e do aquecimento global nesse ecossistema. Com cerca de 400 bilhões de árvores na região — onde cada exemplar adulto pode lançar entre 200 e 300 litros de água por dia no ar —, a Amazônia atua como a espinha dorsal dos ciclos de carbono e nutrientes do planeta. No entanto, atividades como avanço do desmatamento, queimadas, mineração e narcotráfico têm comprometido a conectividade entre os ecossistemas aquáticos e terrestres da floresta.

Os efeitos práticos dessa degradação já são mensuráveis em estudos de campo. Pesquisas desenvolvidas na borda sul da floresta, área conhecida como o arco do desmatamento, revelam que o aumento das temperaturas e a redução das precipitações submetem a vegetação a um estresse hídrico severo, podendo levar as árvores a morrer por colapso do sistema interno de transporte de água. Além da ação humana direta, o agravamento de fenômenos climáticos, a exemplo de secas históricas impulsionadas pelo El Niño, reduziu o volume dos rios, afetou o abastecimento de água e energia em diversas capitais sul-americanas e transformou trechos da mata em emissores de carbono.

Diante da vulnerabilidade do bioma, a comunidade científica defende que a preservação da Amazônia exige medidas imediatas de alcance global e regional. Entre as soluções apontadas pelas especialistas estão a redução drástica das emissões de gases do efeito estufa pela substituição de combustíveis fósseis, aliada à restauração de áreas degradadas e à reconexão ecológica do bioma, evitando que a floresta alcance um ponto sem retorno que comprometa o equilíbrio climático global.

Notícias relacionadas