quarta, 8 de abril de 2026

Designer de Fernandópolis é o nome por trás do primeiro quadriciclo brasileiro

A trajetória do design industrial no Brasil guarda capítulos importantes escritos no interior paulista. O empresário Luis Antonio Arakaki, de 63 anos e morador de Fernandópolis, carrega no currículo a participação direta na criação do primeiro quadriciclo do país. Graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Arakaki desenvolveu o projeto pioneiro ainda em 1985, fruto de uma parceria acadêmica entre a universidade e a Yamaha Motor do Brasil, em uma época em que esse tipo de veículo sequer existia no mercado nacional.

Após concluir os estudos em 1986, o designer retornou a Fernandópolis para atuar na usina da família, mas nunca abandonou a veia criativa. Entre as obrigações profissionais, ele aproveitava sucatas descartadas para idealizar novos protótipos. Sua habilidade técnica o levou a um desafio marcante em 1991, quando foi convidado para projetar, em tempo recorde, a carenagem de faróis da Yamaha RD350R, a última versão do icônico modelo conhecido como “Viúva Negra”. O desenho proposto por ele foi aprovado pessoalmente pela presidência da montadora, resolvendo um impasse que travava a linha de produção.

O espírito inventivo de Arakaki também resultou em veículos robustos e cheios de personalidade. Em 2017, utilizando a base de um jipe nacional, ele criou o “Boi da Cara Preta”, um carro fora de estrada inspirado na força dos bois de montaria e projetado para enfrentar terrenos difíceis. O veículo, que apresenta uma dianteira com traços que remetem à figura de um touro, tornou-se um sucesso nas redes sociais do empresário durante suas viagens de longa distância.

Mais recentemente, o designer apresentou o “Vento nos Dentes”, uma releitura de um buggy tubular pensada para o lazer no litoral paulista. O nome curioso da gaiola reflete a sensação de liberdade e o sorriso que o veículo provoca tanto em quem dirige quanto em quem vê o automóvel passar. Provando que suas criações são feitas para uso real, o empresário chegou a viajar de Fernandópolis até Santos rodando com o veículo, reforçando que o bom design une funcionalidade técnica ao prazer de dirigir.

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