terça, 16 de junho de 2026

Desembargador é investigado pelo CNJ por suspeita de receber quadriciclo como propina

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu uma investigação para apurar uma denúncia de corrupção contra o desembargador Francisco Carlos Jorge, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR). O magistrado é acusado de ter aceitado um quadriciclo de R$ 62,5 mil como recompensa por uma decisão judicial que favoreceu uma das partes em um processo de disputa de aluguéis que se arrasta desde a década de 1990. A denúncia foi apresentada por uma construtora de Curitiba, que contratou uma investigação particular para rastrear a compra do veículo.

Segundo os documentos entregues ao CNJ, a reviravolta no caso ocorreu após a parte adversária contratar um novo advogado. Logo depois, o desembargador teria mudado seu entendimento anterior, “ressuscitando” uma cobrança milionária contra a empresa. O detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi a movimentação em uma loja de veículos em Curitiba, em outubro de 2024. A acusação afirma que o advogado da parte vencedora escolheu um modelo vermelho pago em dinheiro vivo por um terceiro, mas, dias depois, o filho do desembargador teria ido à loja para trocar o veículo por um modelo azul, pagando a diferença de valor e colocando a nota fiscal em seu próprio nome.

Para sustentar a denúncia, a construtora anexou depoimentos do dono da loja, cópias das notas fiscais e até fotos das redes sociais que mostram os netos do magistrado utilizando o quadriciclo. O caso ganha relevância nacional por surgir em um momento de debate sobre o fim da aposentadoria compulsória para juízes que cometem faltas graves, defendendo-se que a punição máxima passe a ser a perda definitiva do cargo e do salário.

Em sua defesa, o advogado Michel Guerios Netto, mencionado no processo, classificou as acusações como “caluniosas” e afirmou que não possui qualquer relação social ou profissional com a família do desembargador. Ele prometeu tomar medidas judiciais criminais contra os autores da denúncia. Já a Corregedoria Nacional de Justiça informou que solicitou novos documentos e um relato cronológico dos fatos para aprofundar a apuração das supostas irregularidades.

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