

O deputado federal Luiz Carlos Motta, uma das principais lideranças políticas da região noroeste paulista em Brasília e com base eleitoral em São José do Rio Preto, teve seu nome envolvido em uma investigação da Polícia Federal de repercussão nacional. A apuração apura um suposto esquema de direcionamento irregular de verbas públicas que movimentou cerca de R$ 119 milhões. O caso ganhou um novo capítulo após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a suspensão dos repasses sob suspeita e o bloqueio desse mesmo valor das contas do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Além de Motta, a investigação aponta que o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, e o deputado Capitão Alden também aparecem como os autores oficiais dessas verbas. No entanto, a Polícia Federal suspeita que os verdadeiros cabeças por trás da distribuição do dinheiro seriam integrantes de um grupo ligado diretamente à cúpula nacional do partido, e não os parlamentares que assinaram os pedidos. De acordo com a decisão do STF, existem indícios de que servidores da Câmara dos Deputados trabalhavam em conjunto com Valdemar Costa Neto para operar um sistema paralelo. A PF descobriu que esses funcionários mantinham planilhas informais e tratavam o dinheiro público como se fossem cotas privadas para atender interesses políticos. Para dar uma aparência de legalidade, os deputados do PL eram registrados como os donos das emendas. Ao todo, os investigadores identificaram 21 repasses supostamente fraudados, a maior parte enviada ao Ministério do Turismo.
O deputado Luiz Carlos Motta explica que seu nome só consta no processo pelo fato de ele ter sido o relator oficial do Orçamento de 2024 na Câmara. Ele garantiu que sua participação no caso se limitou a cumprir as obrigações institucionais e os prazos previstos em lei para a tramitação das emendas. O deputado Capitão Alden também se defendeu, afirmando que todas as suas indicações seguiram rigorosamente os trâmites legais, enquanto o deputado Sóstenes Cavalcante não havia se manifestado até o momento.


Essa grande operação da PF é, na verdade, a continuação de uma investigação iniciada com foco em servidores da Câmara dos Deputados, apontados como o braço operacional que facilitava a tramitação acelerada dos recursos. Por outro lado, a defesa de Valdemar Costa Neto rebateu duramente as acusações e criticou a decisão do ministro Flávio Dino. Os advogados do presidente do PL afirmaram que a medida expõe a investigação antes da hora e se baseia em suposições frágeis. A defesa alegou ainda que negociar e articular a destinação de verbas orçamentárias faz parte da atividade política normal e legítima de um partido, negando qualquer envolvimento em práticas criminosas.







