sexta, 10 de abril de 2026

Deputada Delegada Sheila critica letras de músicas que naturalizam a violência contra a mulher

A deputada estadual Delegada Sheila (PL-MG) participou de uma entrevista ao programa Pleno Time nesta terça-feira (7), onde discutiu o aumento dos casos de feminicídio no Brasil e o papel da cultura na perpetuação desse problema. Durante a conversa, a parlamentar utilizou a famosa música “Faixa Amarela”, gravada por Zeca Pagodinho em 1997, como exemplo de como certas composições podem contribuir para a aceitação da violência doméstica. Ela destacou trechos da letra que descrevem agressões físicas graves como uma forma de “castigo” em caso de desentendimento conjugal.

A análise da deputada gerou repercussão nas redes sociais e chegou a ser comentada pelo sambista Xande de Pilares, que manifestou discordância sobre a interpretação da parlamentar. Para a Delegada Sheila, no entanto, a questão central não é o gosto musical ou o artista, mas sim o impacto estrutural que essas mensagens causam na sociedade. Ela defende que a repetição de letras que descrevem crimes ajuda a tornar a violência algo comum no imaginário popular, o que dificulta o combate ao feminicídio e a proteção das vítimas.

Embora reconheça que a canção foi lançada há décadas, a deputada argumentou que sua popularidade atual mantém a mensagem ativa para novas gerações. Ela demonstrou preocupação com o modo como crianças e adolescentes processam esse tipo de conteúdo, afirmando que o público jovem pode crescer encarando a agressão como uma reação natural em relacionamentos. Sheila ressaltou que sua crítica não visa a censura, mas sim uma reflexão sobre a responsabilidade social de quem produz e consome entretenimento.

Ao ampliar o debate para outros gêneros musicais contemporâneos, a parlamentar afirmou que muitas letras atuais também promovem a desvalorização da figura feminina. Segundo ela, pessoas adultas e maduras conseguem discernir o conteúdo, mas indivíduos em fase de desenvolvimento podem absorver essas ideias como comportamentos aceitáveis. A deputada concluiu reforçando que descrever atos criminosos em tom de normalidade nas artes é um fator que contribui para os índices alarmantes de violência que o país enfrenta hoje.

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