


Um estudo conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou que mães afetadas por depressão contínua têm maior probabilidade de adotar comportamentos disciplinares mais rigorosos e hostis, caracterizados por punições físicas ou verbais, controle excessivo e pouca abertura ao diálogo. Essa dinâmica de criação mais severa acaba prejudicando as chamadas funções executivas dos filhos durante a adolescência, afetando habilidades cerebrais fundamentais como o foco, a atenção e a memória de longo prazo.

A pesquisa acompanhou quase 2 mil jovens nascidos na cidade de Pelotas (RS) a partir de 2004, monitorando a saúde mental das mães desde o nascimento dos bebês até os 11 anos das crianças. Quando os filhos atingiram os 15 anos de idade, foram submetidos a testes cognitivos digitais que demonstraram os impactos negativos no desempenho intelectual. Os piores resultados em atenção sustentada e memória episódica foram observados em adolescentes cujas mães enfrentaram sintomas depressivos graves e contínuos, reforçando que o esgotamento emocional materno limita a capacidade de lidar com o estresse diário e reduz o suporte afetivo necessário para a formação do jovem.
Diante desses achados, os cientistas destacam a necessidade de implementar ações precoces de apoio psicológico às famílias no âmbito da saúde pública. Os especialistas defendem que o acompanhamento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não deve se restringir apenas ao período do pós-parto, mas continuar ao longo da infância por meio de visitas domiciliares, rastreio de sintomas e programas de orientação parental, medidas capazes de proteger o desenvolvimento das crianças e garantir melhores oportunidades no futuro.









