segunda, 7 de setembro de 2026

Depressão materna persistente afeta desenvolvimento cognitivo dos filhos, aponta estudo

Um estudo conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou que mães afetadas por depressão contínua têm maior probabilidade de adotar comportamentos disciplinares mais rigorosos e hostis, caracterizados por punições físicas ou verbais, controle excessivo e pouca abertura ao diálogo. Essa dinâmica de criação mais severa acaba prejudicando as chamadas funções executivas dos filhos durante a adolescência, afetando habilidades cerebrais fundamentais como o foco, a atenção e a memória de longo prazo.

A pesquisa acompanhou quase 2 mil jovens nascidos na cidade de Pelotas (RS) a partir de 2004, monitorando a saúde mental das mães desde o nascimento dos bebês até os 11 anos das crianças. Quando os filhos atingiram os 15 anos de idade, foram submetidos a testes cognitivos digitais que demonstraram os impactos negativos no desempenho intelectual. Os piores resultados em atenção sustentada e memória episódica foram observados em adolescentes cujas mães enfrentaram sintomas depressivos graves e contínuos, reforçando que o esgotamento emocional materno limita a capacidade de lidar com o estresse diário e reduz o suporte afetivo necessário para a formação do jovem.

Diante desses achados, os cientistas destacam a necessidade de implementar ações precoces de apoio psicológico às famílias no âmbito da saúde pública. Os especialistas defendem que o acompanhamento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não deve se restringir apenas ao período do pós-parto, mas continuar ao longo da infância por meio de visitas domiciliares, rastreio de sintomas e programas de orientação parental, medidas capazes de proteger o desenvolvimento das crianças e garantir melhores oportunidades no futuro.

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