

A Defensoria Pública-Geral da União (DPU) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar o adiamento do julgamento do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O processo, que investiga uma suposta coação relacionada à chamada “trama golpista”, está agendado para a próxima terça-feira, dia 16 de junho. O principal argumento do órgão defensor é que a Primeira Turma da Corte, responsável pela análise do caso, está com a sua composição incompleta há mais de meio ano, o que poderia prejudicar o equilíbrio e a legitimidade do resultado.

A cadeira em aberto pertencia ao ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou em outubro de 2025. Desde então, o colegiado vem funcionando com apenas quatro dos cinco membros oficiais. A Defensoria alertou o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, para dois problemas práticos que essa ausência pode causar. O primeiro é o risco de um empate por 2 a 2, o que paralisaria o andamento processual. O segundo cenário envolve o pedido da própria defesa de Eduardo, que argumenta que Moraes deveria se afastar do caso por suspeição; se o ministro aceitar o pedido ou for impedido, o julgamento seria decidido por apenas três magistrados. Para evitar esses impasses, a DPU sugere que um ministro da Segunda Turma seja temporariamente convocado para restabelecer o quórum completo.
A ação penal contra o filho do ex-presidente baseia-se em uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a acusação, Eduardo Bolsonaro teria viajado aos Estados Unidos para articular sanções políticas e econômicas contra autoridades brasileiras. A investigação aponta que ele tentou influenciar o governo norte-americano de Donald Trump a aplicar barreiras tarifárias ao Brasil, além de pedir o cancelamento de vistos de ministros do STF. De acordo com a PGR, a intenção era criar uma pressão internacional sobre o tribunal pouco antes do julgamento que terminou por condenar Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A demora em preencher a vaga de Barroso no STF expõe uma forte crise política entre o Palácio do Planalto e o Poder Legislativo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia indicado Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para assumir o posto de ministro. No entanto, o nome enfrentou grande resistência no Senado, liderada pelo parlamentar Davi Alcolumbre. Messias aguardou por cinco meses a votação de sua indicação e acabou rejeitado pelo plenário por 42 votos. Bastidores de Brasília apontam que a reprovação foi uma retaliação política, após Alcolumbre tentar, sem sucesso, conseguir que o governo federal interferisse para blindá-lo em investigações criminais ligadas ao caso do Banco Master.







