

A Justiça de São José do Rio Preto suspendeu em caráter de urgência o descarte de uma carga de 28 toneladas de carne que estava em um caminhão frigorífico apreendido pela Polícia Federal. O veículo havia sido interceptado na última quinta-feira, dia 4 de junho, com quase meia tonelada de entorpecentes escondida em meio ao alimento. A ordem para interromper a destruição atendeu a um pedido apresentado pelo advogado Kauan Cambauva, que representa a empresa responsável pelo transporte da mercadoria.

O defensor explicou que chegou a enviar um e-mail para a Polícia Federal alertando sobre a existência de um mandado de segurança que pedia a liberação do produto. Contudo, segundo o advogado, o aviso não foi levado em consideração pela autoridade policial, que manteve a ordem para incinerar ou triturar o alimento. O caminhão acabou sendo conduzido até uma fábrica de reciclagem de produtos de origem animal, e aproximadamente 16 toneladas do carregamento já haviam sido trituradas quando a nova decisão judicial chegou para paralisar o processo.
A conduta adotada na delegacia também foi questionada pelo Ministério Público. O promotor André Luis de Souza levantou dúvidas sobre a legalidade da medida, lembrando que a legislação brasileira determina que a definição sobre o destino desse tipo de mercadoria agropecuária cabe exclusivamente a órgãos federais competentes, e não à polícia de forma direta.
A carga de carne, que está avaliada em cerca de R$ 635 mil, vinha do estado do Amazonas e tinha como destino final o município de Campo Limpo Paulista, em São Paulo. De acordo com a defesa, tanto a transportadora quanto o frigorífico que vendeu o produto não sabiam que havia drogas no veículo. Em depoimento, o motorista do caminhão confessou que agiu por conta própria, permitindo que os criminosos colocassem as substâncias no baú refrigerado em troca de um pagamento em dinheiro. Para tentar diminuir o rombo financeiro causado pelo incidente, a empresa planeja enviar o restante da carne que sobrou para uma indústria de graxaria, onde o material é transformado em subprodutos industriais. A Polícia Federal ainda não emitiu nenhuma declaração pública para comentar o caso.







