quinta, 23 de abril de 2026

Das 10 músicas mais ouvidas no país, 8 são de alvos de ação da PF

A recente operação Narco Fluxo, realizada pela Polícia Federal, revelou que a investigação sobre um esquema bilionário de lavagem de dinheiro está profundamente conectada aos maiores sucessos musicais da atualidade. Um levantamento mostrou que, das dez canções mais ouvidas no país na plataforma Spotify, oito pertencem a artistas ou produtoras que são alvo da ação policial. Faixas como “Famoso Ímã” e “Gauchinha”, que dominam as listas de reprodução, somam juntas cerca de 775 milhões de execuções e estão ligadas a empresas como GR6, Love Funk e Bololô Records.

O foco da Polícia Federal é desarticular um esquema que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão. De acordo com as investigações, a estrutura do crime organizado teria utilizado a indústria do entretenimento e do funk para dar aparência legal a recursos vindos do tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais. A estratégia envolveria o uso da imagem de influenciadores de grande alcance e artistas de massa para camuflar as transações financeiras ilícitas por meio de produtoras audiovisuais de grande porte.

A operação mobilizou mais de 200 agentes federais em diversos estados e resultou na prisão dos funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de influenciadores digitais, como o responsável pela página Choquei. No cenário atual das plataformas de áudio, apenas o grupo sul-coreano BTS e o cantor sertanejo Panda conseguiram manter músicas entre as dez mais ouvidas sem possuir vínculos com os núcleos investigados.

Enquanto a polícia analisa os documentos e materiais apreendidos, as defesas dos artistas e das empresas citadas negam qualquer irregularidade. Os advogados afirmam que as movimentações financeiras declaradas são fruto do trabalho legítimo no mercado fonográfico e que ainda aguardam o acesso completo às provas do processo para apresentar justificativas detalhadas à Justiça.

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