

Nesta quarta-feira (15), a partir das 16h (horário de Brasília), Argentina e Inglaterra entram em campo na cidade de Atlanta, nos Estados Unidos, para disputar uma vaga na grande final da Copa do Mundo de 2026. Atuais campeões mundiais, os argentinos buscam o tetracampeonato e tentam repetir um feito raríssimo na história do futebol: vencer duas Copas seguidas, algo que apenas a Itália (em 1934 e 1938) e o Brasil (em 1958 e 1962) conseguiram realizar até hoje. No entanto, para entender como essa seleção se transformou em uma máquina de vencer títulos, é preciso olhar para trás e relembrar o caos que quase destruiu a equipe há alguns anos.

A virada de chave começou após o fracasso retumbante na Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Naquele ano, a Argentina viveu um verdadeiro pesadelo dentro e fora de campo, com atuações ruins e um racha público entre o elenco e o técnico Jorge Sampaoli. Após uma derrota dolorosa por 3 a 0 para a Croácia, os jogadores, liderados por Lionel Messi e Javier Mascherano, chegaram a fazer um motim para exigir voz ativa nas decisões táticas. O time acabou eliminado pela França nas oitavas de final e Sampaoli deixou o cargo, mergulhando a Associação de Futebol Argentino em uma crise profunda e sem rumo.
Sem grandes opções, a federação decidiu apostar em uma solução caseira e provisória: efetivou o jovem ex-lateral Lionel Scaloni, que comandava a seleção sub-20 e não tinha nenhuma experiência como treinador principal. A decisão foi duramente criticada pela imprensa e até pelo maior ídolo do país, Diego Maradona, que declarou publicamente que Scaloni não tinha capacidade sequer para dirigir o trânsito. Mesmo sob desconfiança geral, o treinador iniciou uma reformulação profunda no elenco para a disputa da Copa América de 2019, mantendo apenas dez veteranos da Copa da Rússia e abrindo espaço para novos nomes que hoje são pilares do time, como o volante Rodrigo De Paul e o atacante Lautaro Martínez.


A Copa América de 2019, disputada no Brasil, terminou com a Argentina em terceiro lugar, mas foi o verdadeiro divisor de águas para o grupo. Após uma derrota polêmica na semifinal para a seleção brasileira, Messi surpreendeu a todos ao assumir um papel de liderança firme e sem meias-palavras, criticando duramente a arbitragem e blindando o elenco de novas crises. Com o apoio público do camisa 10 e de todo o elenco, a diretoria decidiu manter Scaloni no cargo, dando início à famosa era da “Scaloneta”, apelido carinhoso que faz referência a uma caminhonete imaginária dirigida pelo treinador com os atletas a bordo.
A partir dali, a engrenagem funcionou perfeitamente. Scaloni montou uma defesa sólida com o goleiro Dibu Martínez e os zagueiros Cristian Romero e Lisandro Martínez, além de um meio-campo incansável que tirou o peso de armar o jogo das costas de Messi. Mais leve e focado em decidir partidas, o craque argentino deslanchou. Se até 2018 ele tinha média de um gol a cada dois jogos pela seleção e nenhum título, de 2019 para cá seus números dispararam para quase um gol por partida, resultando nas conquistas históricas de duas Copas América (2021 e 2024), da Finalíssima (2022) e da Copa do Mundo do Catar, em 2022. Agora, mais líder do que nunca, Messi e a experiente “Scaloneta” tentam dar o último passo para consolidar de vez essa geração na galeria dos maiores times da história do futebol.








