quinta, 15 de janeiro de 2026

Crise no Canil Municipal de Guapiaçu: denúncia revela precariedade e mortes de animais

A situação do Canil Municipal de Guapiaçu tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Civil e de graves denúncias por parte de protetores de animais após a morte de nove cães com suspeita de parvovirose. Karisa Maia, representante da ONG Projeto Patinhas Salvas, expôs a realidade preocupante da unidade, que apresenta problemas estruturais profundos e falta de equipamentos básicos. Imagens obtidas pela protetora mostram que o atendimento veterinário no local é improvisado, com animais sendo examinados sobre carteiras escolares devido à ausência de mesas ou macas adequadas, o que compromete a higiene e a eficácia dos tratamentos.

A localização do canil também é um ponto crítico da denúncia, já que o prédio está instalado sobre um antigo aterro sanitário. Segundo Karisa, o ambiente é marcado pelo mau cheiro constante e pela infestação de ratos e insetos, o que coloca em risco a saúde dos animais abrigados. A falta de manutenção ao longo de 15 anos resultou em telhados cedendo pelo acúmulo de sujeira de roedores, alambrados enferrujados e remendados com restos de móveis, além da falta de testes rápidos para identificar doenças contagiosas. Essa escassez de recursos teria facilitado a propagação do surto que vitimou os filhotes recentemente.

De acordo com o relato da prefeitura e de protetores, o problema se agravou no final de dezembro. O canil, que já sofria com a superlotação, recebeu novos filhotes abandonados e, por falta de baias de isolamento, os animais foram misturados a outros que já estavam no local. Poucos dias depois, os cães começaram a apresentar sintomas graves de parvovirose, como diarreia sanguinolenta, resultando na morte em série de nove animais. Atualmente, dois sobreviventes seguem internados em uma clínica particular com o apoio da ONG, enquanto as autoridades tentam controlar a situação sanitária no abrigo público.

O assessor de gabinete da prefeitura, Thales Henrique Bertucci, reconheceu que o prédio é antigo e não recebeu as reformas necessárias nos últimos anos. Ele afirmou que a administração municipal optou por construir uma nova sede em vez de reformar a atual, devido ao alto custo das melhorias, embora ainda não exista um prazo definido para o início das obras. Enquanto o novo projeto não sai do papel, a prefeitura informou que intensificou a limpeza e a desinfecção do local com produtos específicos para tentar conter novos focos de doenças e garantir o mínimo de dignidade aos cães que permanecem no abrigo.

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