


A situação do Canil Municipal de Guapiaçu tornou-se o centro de uma forte polêmica nesta semana, após denúncias de abandono estrutural e a confirmação da morte de nove cães, a maioria filhotes. Na última sexta-feira (9), protetores independentes de animais relataram que foram impedidos de acessar as dependências do local para fiscalizar as condições de saúde dos bichos sobreviventes. O impedimento ocorre em um momento crítico, onde ativistas apontam um surto de parvovirose — uma doença viral grave e altamente contagiosa — como causa das mortes recentes.

O cenário descrito por moradores e protetores é de extremo descaso. Imagens enviadas à reportagem revelam instalações deterioradas, com vidros quebrados, forros danificados e falta de higiene básica. A crise teria se intensificado no final de dezembro, quando dois cães doentes foram abandonados na porta da unidade e colocados junto a outros filhotes, o que pode ter espalhado o vírus. Diante disso, um boletim de ocorrência foi registrado na delegacia local, apontando falhas na alimentação, ausência de isolamento sanitário e acompanhamento veterinário insuficiente para os animais abrigados.
A Prefeitura de Guapiaçu, por meio de sua assessoria, justificou a restrição de acesso como uma medida técnica temporária. Segundo a administração, a proibição de entrada para pessoas não autorizadas segue um protocolo de desinfecção orientado por profissionais, visando conter a disseminação da parvovirose e preservar a saúde pública. O município também afirmou que já identificou o responsável pelo abandono dos cães que iniciaram o surto e que ele será penalizado administrativa e criminalmente. Sobre a infraestrutura, a prefeitura declarou que planeja construir um novo canil e uma clínica veterinária, alegando que reformar o prédio atual, que fica próximo a um aterro sanitário, seria inviável.
Apesar das justificativas oficiais, o clima entre os protetores de animais é de indignação e desconfiança. Para os ativistas, o bloqueio das vistorias externas parece uma tentativa de evitar novas denúncias enquanto a crise não é resolvida. Eles ressaltam que os problemas do canil, como a equipe reduzida e a localização inadequada, são antigos e conhecidos pela população. O caso segue sob acompanhamento das autoridades policiais e da sociedade civil, que cobram ações imediatas para garantir o bem-estar dos animais que ainda vivem no local.











