terça, 4 de agosto de 2026

Crise na Saúde: Secretário de Rio Preto pede demissão definitiva em meio a escândalo de R$ 12 milhões

Foto: Marina Lacerda/TV TEM

O médico Rubem Bottas renunciou definitivamente ao cargo de secretário de Saúde de São José do Rio Preto nesta segunda-feira. O anúncio foi feito pelo próprio cirurgião plástico por meio de um vídeo publicado em suas redes sociais, onde alegou que a saída foi uma decisão estritamente pessoal, tomada junto à sua família e aceita pelo prefeito Fábio Cândido. Bottas já estava afastado da função desde maio, quando estourou uma grave crise política envolvendo um contrato milionário e sem licitação firmado entre a prefeitura e a Santa Casa de Casa Branca, uma cidade de pequeno porte localizada na região de Campinas.

A demissão ocorreu no mesmo dia em que a Procuradoria-Geral do Município acionou a Justiça com uma ação por improbidade administrativa contra o agora ex-secretário, uma assessora da pasta e a própria Santa Casa. O governo municipal tenta reaver R$ 3,8 milhões que foram repassados antecipadamente à entidade e que, até o momento, não foram devolvidos aos cofres públicos. O convênio cancelado, que somava quase R$ 12 milhões, tinha o objetivo de realizar um mutirão de 63 mil exames de imagem em três meses utilizando carretas móveis de saúde. Atualmente, o caso é investigado por uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara de Vereadores e por uma sindicância interna da prefeitura, agora sob o comando do novo secretário, Frederico Duarte.

As investigações apontam uma série de supostas irregularidades no negócio. A principal delas é que o contrato foi assinado em caráter de urgência, ignorando alertas da própria Procuradoria jurídica do município sobre falhas no processo. Os vereadores contestam a emergência da situação, já que a fila de exames acumulada ao longo de 2025 era um problema conhecido e deveria ter sido planejado com um chamamento público tradicional. Além disso, descobriu-se que a estrutura da Santa Casa de Casa Branca não teria capacidade para atender a demanda de uma cidade do tamanho de Rio Preto e que o hospital vinha enfrentando problemas financeiros graves em sua própria sede, chegando a sofrer intervenção da prefeitura local.

Outros pontos que chamaram a atenção dos investigadores foram a velocidade incomum com que os papéis tramitaram — todo o processo foi aprovado e assinado em apenas quatro dias — e a viabilidade técnica do projeto, já que a lista incluía exames complexos que não podem ser feitos dentro de caminhões adaptados. Também há contradições nos depoimentos: enquanto Bottas afirmou ter procurado grandes hospitais da região, como o Hospital de Base, a instituição negou publicamente ter sido consultada. Fora do governo, o ex-secretário afirmou que vai se dedicar exclusivamente à sua carreira na medicina privada, enquanto a Justiça e os vereadores seguem cruzando dados para descobrir quem são os verdadeiros responsáveis pelo prejuízo financeiro causado ao município.

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