sexta, 5 de dezembro de 2025

Crise na Fé: Paroquianos de Populina pedem transferência de padre por acusações e abuso de poder

Documento detalha 16 relatos de fiéis, incluindo acusações de abuso de poder, falta de transparência financeira, cobrança por atendimento espiritual e humilhações públicas durante a missa. Ele também atende no…

A comunidade católica da Paróquia de Populina formalizou um requerimento de transferência à Diocese de Jales para o Padre Maurício da Silva, alegando uma série de graves infrações administrativas, canônicas, ministeriais e sacerdotais que estariam causando o enfraquecimento da vida paroquial.

O documento, assinado por fiéis que preferiram não se identificar por “medo de retaliação e ameaças” do sacerdote, descreve um cenário de esvaziamento da igreja local, onde “comunidades antes cheias e alegres, hoje contam com pouquíssimos participantes” e famílias estariam optando por assistir a celebrações pela televisão ou migrando para outras religiões.

Acusações em Quatro Dimensões

A manifestação popular organiza as queixas em quatro eixos centrais, evidenciando o profundo desgaste na relação entre o padre e os paroquianos.

1. Infrações Administrativas: A principal queixa reside na falta de transparência na gestão financeira. Os fiéis alegam que os recursos da igreja são administrados apenas pelo padre e seu secretário, sem a participação efetiva das comissões. Há também denúncias de cobrança de aluguel ou impedimento do uso de espaços comunitários construídos pela própria comunidade, além do enfraquecimento de festas tradicionais e quermesses, que se tornaram “eventos pequenos, mal organizados e desmotivados”.

2. Infrações Canônicas: Neste eixo, o documento aponta abuso de poder e tratamento desrespeitoso. O Padre Maurício é acusado de referir-se à comunidade como “povo sem cultura” e de utilizar a fé para coagir fiéis, causando medo e angústia. O texto afirma que o sacerdote estaria ferindo o espírito de comunhão do Concílio Vaticano II ao afastar os leigos de sua legítima participação na vida da Igreja.

3. Infrações Ministeriais: A comunidade critica a condução das homilias, que estariam sendo transformadas em “discursos políticos e de ofensa à população” em vez de oferecerem alimento espiritual. Os relatos mais graves incluem o uso de ameaças verbais como “praga de padre pega” e desejos de doença a quem discorda de sua conduta. Uma das denúncias aponta que o padre chegou a cobrar por atendimento particular de orientação espiritual.

4. Infrações Sacerdotais: Os fiéis relatam que o momento sagrado da Santa Missa foi reduzido a críticas e comentários ofensivos. Um relato chocante descreve o constrangimento direto de um jovem, cujo nome foi repetido pelo padre em voz alta nove vezes durante a celebração. Outro incidente de “atitude contrária à caridade cristã” relata a recusa do padre em apertar a mão de uma jovem com deficiência, que, por medo e tristeza, não retornou mais à igreja.

Relatos Detalhados e Constrangimento

O abaixo-assinado é acompanhado por dezesseis relatos anônimos que detalham a conduta do padre, incluindo:

  • Um fiel que foi cobrado por atendimento espiritual após procurar o padre em grande sofrimento.
  • Discussões sobre obras e teologia durante a missa, culminando no padre “tirar a batina” e quase deixar a celebração sem a bênção final.
  • Ameaças em tom de sermão como: “tomara que quem fala mal de mim pegue um câncer na língua”.
  • Discussões sobre a administração pública e acúmulo de entulhos em via pública, onde o padre teria alegado que “a praça era dele e que jogaria onde quisesse.”

A comunidade também relatou a preocupação de que a exposição pública dos assinantes, após buscarem orientação na Diocese, intensificou o constrangimento, com o padre chegando a citar o nome de pessoas que assinaram o documento durante a realização da Santa Missa.

O documento conclui com um pedido enfático de transferência, alegando que “a missão de conduzir o povo a Cristo foi substituída por práticas que afastam, humilham e ferem a fé,” e que a mudança é necessária para a restauração da vida eclesial na Paróquia de Populina.

A Diocese de Jales ainda não se pronunciou oficialmente sobre o requerimento.

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