

O corpo do padre missionário Robson Gavioli, de 36 anos, foi sepultado no fim da tarde desta segunda-feira no cemitério municipal de Urânia, no interior de São Paulo. Natural de São José do Rio Preto, o sacerdote faleceu na Ucrânia no início do mês após sofrer complicações decorrentes de uma operação médica. O caixão com o corpo do religioso chegou ao Brasil pelo aeroporto de Guarulhos no domingo e, ao longo de toda a segunda-feira, recebeu homenagens e missas de corpo presente em Rio Preto e Jales, antes de seguir em um cortejo fúnebre de 158 quilômetros pela Rodovia Euclides da Cunha até o seu destino final.

A trajetória de Robson na Europa foi marcada pela dedicação ao próximo em um cenário de extrema dificuldade. Ele morava há 14 anos na Ucrânia, para onde viajou após ser selecionado em um sorteio no seminário onde estudava. Quando a guerra contra a Rússia estourou, em 2022, o padre teve a oportunidade de voltar em segurança para o Brasil, mas escolheu recusar a oferta para permanecer no país europeu, prestando apoio espiritual e ajuda humanitária para refugiados e vítimas dos bombardeios. Os momentos finais do religioso foram acompanhados por amigos de batina, que relataram que ele participou de orações, comungou e chegou a fazer uma chamada de vídeo para conversar com o pai antes de morrer.
A fatalidade que tirou a vida do missionário começou com um acidente doméstico durante o trabalho religioso. O padre lesionou o joelho enquanto liderava um grupo de jovens em uma caminhada de oração pelas montanhas ucranianas. Por conta do machucado, ele precisou passar por uma cirurgia considerada simples pelos médicos da região. No entanto, o paciente desenvolveu um quadro de tromboembolia, complicação em que um coágulo viaja pelo sangue e entope os vasos sanguíneos. O problema causou uma parada cardiorrespiratória irreversível no dia 6 de junho.
Durante as celebrações de despedida no interior paulista, líderes da Igreja Católica buscaram trazer conforto aos familiares e paroquianos que lotaram as missas. Companheiros de seminário destacaram o legado de coragem e desprendimento deixado por Robson, reforçando que, apesar da dor profunda da perda precoce, a comunidade deve se apegar às boas lembranças e ao exemplo de solidariedade do padre, que dedicou a juventude e a própria vida para acolher os necessitados no meio de uma guerra.







