sábado, 15 de agosto de 2026

Controle do colesterol deve começar na infância, alerta cardiologista

No Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado neste sábado, dia 8 de agosto, especialistas reforçam que o acompanhamento médico e a adoção de hábitos saudáveis são as principais armas contra complicações cardiovasculares. Em entrevista à Agência Brasil, Renato Jorge Alves, vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), destacou um estudo que orienta que a primeira dosagem de colesterol e glicose seja feita logo aos 10 anos de idade. A medição precoce é fundamental para identificar a hipercolesterolemia familiar, uma condição genética rara que pode elevar drasticamente as taxas da substância ainda na infância e provocar infartos em crianças.

O médico também fez um duro alerta contra a desinformação disseminada por conteúdos falsos na internet. Segundo ele, promessas de dietas extremas — como a chamada dieta carnívora, baseada exclusivamente no consumo de carnes — e discursos que incentivam a interrupção de remédios contra o colesterol são perigosos e sem respaldo científico. O cardiologista explicou que o consumo excessivo de carne vermelha aumenta o colesterol ruim (LDL), o ácido úrico e a formação de placas de gordura nas artérias. Além disso, interromper o uso de estatinas, medicamentos com eficácia comprovada há mais de 30 anos para reduzir riscos de infarto e AVC, faz com que as taxas voltem a subir, da mesma forma que ocorre no tratamento de hipertensão e diabetes.

Para manter a saúde do coração e evitar o acúmulo de gordura e a inflamação nas artérias, o especialista indica um estilo de vida equilibrado. Isso inclui uma alimentação variada sem excesso de gorduras saturadas ou trans, a prática diária de atividades físicas acumulando de 150 a 300 minutos por semana, e noites de sono reparadoras para controlar o estresse e as alterações metabólicas. Como cerca de 70% do colesterol é produzido pelo próprio corpo, as mudanças na rotina ajudam a reduzir as taxas em até 10%, sendo o uso de medicamentos essenciais nos casos genéticos ou quando os níveis ultrapassam 300 mg/dL.

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