

O Conselho Municipal de Políticas Culturais de São José do Rio Preto (CMPC) formalizou um pedido ao Ministério Público para que sejam apurados os gastos da prefeitura com o evento conhecido como “Carnaval do Coronel”. A representação questiona o investimento de aproximadamente R$ 6 milhões dos cofres públicos na festa realizada no Recinto de Exposições, que contou com grandes shows de artistas sertanejos renomados, como Ana Castela, cujo cachê teria chegado a R$ 950 mil. Segundo o conselho, o montante destinado a celebridades nacionais destoa da realidade dos investimentos nas manifestações culturais locais e populares.

O colegiado aponta supostas irregularidades e falta de transparência por parte da Secretaria Municipal de Cultura na gestão desses recursos. Um dos principais pontos de conflito é a afirmação de que o conselho não foi consultado ou ouvido sobre o planejamento e a aplicação da suplementação orçamentária utilizada para o evento. Os conselheiros alegam que, de acordo com o regimento interno, o órgão deveria deliberar previamente sobre diretrizes e aplicação de verbas da política cultural municipal, o que não teria ocorrido nesta edição do Carnaval.
A polêmica em torno do evento já havia chegado à Câmara Municipal, onde vereadores e representantes de blocos de rua criticaram a disparidade entre o valor gasto com os grandes shows e o apoio destinado às agremiações locais, que receberam cerca de R$ 528 mil. Enquanto o governo municipal defende a iniciativa como uma forma de democratizar o acesso a shows consagrados e movimentar a economia local, o Conselho de Cultura argumenta que o modelo adotado priorizou atrações de fora em detrimento do controle social e da valorização dos artistas da cidade.
Com a entrega do documento ao Ministério Público, o órgão deverá avaliar se houve improbidade administrativa ou desvio de finalidade no uso dos recursos públicos. O caso segue gerando debates intensos na cidade, especialmente sobre as prioridades do orçamento da cultura e o respeito às instâncias de participação popular. Até o momento, a Secretaria de Cultura não se manifestou detalhadamente sobre a representação ao MP, mas reafirma que todos os processos seguiram os trâmites legais de contratação e fomento ao turismo regional.









