quarta, 8 de abril de 2026

Conflitos no Oriente Médio e restrições globais elevam custos de produção no interior paulista

O agronegócio no interior de São Paulo enfrenta um cenário de incertezas e aumento nos custos de produção devido aos reflexos dos conflitos no Oriente Médio e a decisões recentes no mercado internacional. O sinal de alerta entre os produtores rurais acendeu após a Rússia, que detém um quarto das vendas globais de fertilizantes, suspender a comercialização desses insumos, seguindo uma medida anteriormente adotada pela China. Essa restrição na oferta global impacta diretamente o Brasil, que depende fortemente da importação desses produtos para manter a produtividade no campo.

Os efeitos práticos já são sentidos no bolso do produtor brasileiro com a alta simultânea do óleo diesel e dos fertilizantes, itens considerados essenciais para o funcionamento das propriedades. No setor sucroenergético, que movimenta a economia de diversas cidades paulistas, a pressão é ainda maior. De acordo com a Associação dos Plantadores de Cana (Aplacana) da região de Monte Aprazível, o diesel, que chega a representar mais de um terço de todo o custo da lavoura, sofreu um reajuste de até 25%, enquanto os fertilizantes encareceram cerca de 20% em um curto período.

Para tentar conter o impacto financeiro e garantir a continuidade das atividades, muitos agricultores estão revendo suas estratégias de manejo. Entre as alternativas buscadas estão a substituição de parte dos insumos químicos por compostos orgânicos e a priorização apenas das operações agrícolas estritamente necessárias, evitando o uso excessivo de maquinário. Essas medidas visam proteger a margem de lucro, que fica cada vez mais estreita diante do encarecimento do frete e dos produtos importados.

Especialistas do setor alertam que, embora os produtores estejam se adaptando, a recuperação do mercado não será imediata. Mesmo que as restrições internacionais de venda sejam revogadas em breve, o tempo necessário para que a cadeia logística se normalize e os preços voltem a patamares acessíveis pode ser longo. Enquanto isso, o setor produtivo segue monitorando os desdobramentos geopolíticos, torcendo por uma estabilização que traga mais segurança para as próximas safras.

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