

A confiança dos donos de indústrias no Brasil registrou uma queda em julho e atingiu o patamar mais baixo desde o período mais crítico da pandemia de covid-19. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) recuou 2,3 pontos em comparação com o mês anterior, passando de 46,7 para 44,4 pontos. O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (13) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta que o setor produtivo nacional vive um momento prolongado de incertezas e cautela diante dos rumos da economia.

Com essa nova queda, o indicador completa 19 meses seguidos abaixo da linha dos 50 pontos, marca que funciona como um divisor de águas: notas menores que 50 mostram desconfiança e pessimismo, enquanto valores acima indicam otimismo. Esta já é a segunda maior sequência de desânimo já registrada na história da pesquisa, ficando atrás apenas da crise econômica enfrentada pelo país entre os anos de 2015 e 2016. De acordo com a CNI, quando o descontentamento dura tanto tempo, o impacto chega direto ao bolso da população, provocando a diminuição do ritmo das fábricas, o cancelamento de investimentos e demissões no mercado de trabalho.
A pesquisa revelou que o desânimo atinge tanto a percepção sobre o momento atual quanto o futuro das empresas. Os industriais ouvidos afirmam que as condições econômicas do país pioraram muito nos últimos seis meses e as projeções para os próximos tempos tiveram a maior queda desde o fim de 2022. Os empresários perderam a esperança em uma melhora rápida dos negócios e enxergam o cenário econômico nacional com tons ainda mais negativos.


Esse mau humor generalizado do setor privado é alimentado, principalmente, pelas turbulências que vêm de fora do Brasil. Analistas econômicos da CNI explicam que o agravamento dos conflitos armados no Oriente Médio e o medo de que os Estados Unidos voltem a cobrar tarifas mais altas sobre os produtos brasileiros deixaram o mercado em alerta. Para traçar esse diagnóstico detalhado sobre a realidade da indústria, a entidade entrevistou os gestores de 1.118 empresas de pequeno, médio e grande porte em todo o território nacional durante a primeira semana de julho.








