domingo, 8 de fevereiro de 2026

Conduta de delegado em Votuporanga é investigada após falhas em inquérito de homicídio

O Ministério Público de São Paulo solicitou a abertura de uma investigação contra o delegado Marco Aurélio Tirapelli, de Votuporanga, por suspeita de prevaricação na condução do caso envolvendo a morte de Milton de Oliveira Bolleis, um idoso de 70 anos agredido em um bar em agosto de 2025. O promotor José Vieira da Costa Neto apresentou duras críticas à atuação do policial, afirmando que a investigação foi superficial e ignorou evidências claras capturadas por câmeras de segurança. Segundo a denúncia, o delegado teria se limitado a relatar o ocorrido sem o rigor necessário, o que comprometeu a elucidação completa dos fatos no início do processo.

O crime em questão envolveu uma agressão brutal onde o idoso foi atingido por uma “voadora” e, posteriormente, golpeado com um bloco de concreto de cinco quilos. Milton não resistiu ao traumatismo torácico e faleceu. No entanto, o Ministério Público alega que detalhes cruciais foram negligenciados pela autoridade policial, como a falta de contestação aos depoimentos de testemunhas que, embora filmadas presenciando a cena, mentiram à polícia. O promotor destacou ainda uma situação descrita como inaceitável: o delegado teria se recusado a apreender a pedra utilizada no crime, mesmo quando o objeto foi levado até a delegacia pela filha da vítima.

Outro ponto grave levantado pelo Ministério Público diz respeito a possíveis interferências externas no andamento das investigações. O pedido de apuração menciona rumores na cidade de que o autor da agressão, Fernando Rodrigues Guerche, possuiria laços familiares com profissionais da área jurídica e policial, o que poderia ter influenciado a suposta complacência no inquérito. Diante dessas suspeitas, a Corregedoria da Polícia Civil instaurou um inquérito administrativo e criminal para avaliar se houve falta grave ou intenção de beneficiar o suspeito, que já foi substituído na condução do caso por outro delegado.

Atualmente, o agressor Fernando Rodrigues Guerche aguarda o julgamento por júri popular. Ele responde por homicídio triplamente qualificado, incluindo motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de embriaguez ao volante, já que fugiu do local dirigindo sob efeito de álcool antes de ser preso em flagrante. Enquanto o processo contra o réu avança, a Delegacia Seccional de Votuporanga aguarda a conclusão das investigações da Corregedoria sobre a conduta do delegado Tirapelli para definir as sanções cabíveis.

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