sexta, 17 de julho de 2026

Comida mais barata puxa inflação para baixo e junho registra menor taxa em oito meses

Os preços dos alimentos deram uma trégua ao bolso dos brasileiros e registraram a primeira queda desde novembro do ano passado. Esse alívio na mesa das famílias foi o principal motor para desacelerar a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou o mês de junho em 0,16%. De acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado mensal é o menor registrado desde outubro de 2025 e confirma que o custo de vida perdeu força pelo quarto mês consecutivo, vindo bem abaixo dos 0,58% computados em maio.

Com o desempenho de junho, a inflação acumulada no primeiro semestre do ano ficou em 3,36%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o índice soma 4,64%, o que representa uma leve melhora em relação aos 4,72% registrados até o mês anterior. Apesar da trajetória de queda, o indicador do país ainda permanece um pouco acima do teto da meta estipulada pelo governo federal, que é de até 4,5%. Mesmo assim, o resultado surpreendeu positivamente o mercado financeiro: a projeção mais recente dos analistas econômicos indicava que a inflação de junho viria mais alta, na casa dos 0,32%.

A grande responsável por segurar o índice foi a categoria de alimentação e bebidas, que registrou uma queda média de 0,24%. O recuo foi ainda mais expressivo nos alimentos consumidos dentro de casa, que ficaram 0,39% mais baratos. O analista da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, explicou que esse movimento reflete uma devolução de altas exageradas que aconteceram recentemente, somada a uma maior oferta de produtos no mercado. O consumidor que foi às compras no mês passado encontrou preços menores em itens importantes do cotidiano, como o açaí, que despencou mais de 14%, além do café moído, do óleo de soja, do tomate, das frutas e das carnes em geral. Em contrapartida, comer fora de casa continuou pesando um pouco mais, apresentando uma leve alta de 0,15%.

Se a comida ajudou a aliviar o orçamento, os custos com habitação e transporte jogaram no time oposto. A maior pressão de alta em junho veio da conta de luz, que subiu 1,53% devido à manutenção da bandeira tarifária amarela — que adiciona uma taxa extra a cada 100 quilowatts-hora consumidos — e a reajustes locais aplicados em grandes capitais como Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. No setor de transportes, o grande vilão foram as passagens aéreas, que saltaram mais de 7%. Esse aumento só não causou um impacto maior porque os combustíveis deram um refresco no mesmo período e ficaram mais baratos, com destaque para a queda de mais de 3% no preço do etanol e recuos discretos no diesel e na gasolina.

Os técnicos do IBGE também apontam que, apesar do resultado geral baixo, a inflação ainda se mantém espalhada pela economia. O chamado índice de difusão mostrou que 54% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram algum tipo de aumento de preço no mês passado, o que significa que pouco mais da metade dos itens subiu, embora em passos mais lentos. Setores mais sensíveis às taxas de juros, como o grupo de serviços e os preços controlados por contratos, também mostraram sinais de desaceleração em comparação com o mês de maio. O IPCA acompanha o custo de vida de famílias que ganham entre um e 40 salários mínimos e serve como a bússola oficial do Banco Central para monitorar o cumprimento das metas econômicas do país.

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