

O Tribunal do Júri dá início, nesta segunda-feira, dia 22 de junho de 2026, ao julgamento de três policiais militares acusados de participar da execução de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, delator da facção criminosa Primeiro Comando da Capital. O crime, ocorrido em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, chocou o país pelo uso de fuzis em uma área pública de grande movimentação e resultou também na morte de Celso Araújo Sampaio de Novais, um motorista de aplicativo que trabalhava no local e foi atingido pelas costas. Gritzbach, que tinha 38 anos, era investigado por lavagem de dinheiro e colaborava com as investigações do Ministério Público de São Paulo contra o crime organizado.

No banco dos réus estão o soldado Ruan Silva Rodrigues e o cabo Denis Antônio Martins, apontados pelos investigadores como os atiradores que efetuaram os disparos, além do tenente Fernando Genauro da Silva, suspeito de dirigir o carro que transportou a dupla até o terminal aeroportuário. Presos preventivamente em uma unidade penitenciária militar, os três respondem por dois homicídios consumados qualificados e duas tentativas de homicídio qualificado, já que outras duas pessoas ficaram feridas no tiroteio. Caso sejam condenados por todas as acusações, as penas somadas dos policiais podem ultrapassar os 51 anos de prisão, dos quais pelo menos 21 anos seriam referentes apenas ao assassinato do delator.
A defesa dos policiais, liderada pelo advogado Claudio Dalledone Júnior, sustenta a tese de inocência e afirma que não existem provas concretas que liguem os réus ao atentado. Diante da complexidade do caso e da grande repercussão, o conselho de sentença terá a missão de responder a 90 quesitos técnicos formulados pela Justiça para definir a culpa ou a absolvição dos réus em cada detalhe do crime. O julgamento deve se estender ao longo de toda a semana e tem previsão de encerramento para a próxima sexta-feira, dia 26 de junho.


O Ministério Público, que formalizou a denúncia no ano passado, pretende utilizar vídeos do circuito de segurança e convocar policiais civis e militares para depor no plenário. Ao todo, o Tribunal de Justiça de São Paulo convocou 21 testemunhas para prestar depoimento ao longo dos próximos dias. Enquanto os três policiais militares enfrentam o júri popular, outros três envolvidos no crime continuam foragidos da Justiça, entre eles o jovem apontado como o informante que monitorava a vítima no aeroporto e dois homens suspeitos de serem os mandantes intelectuais da execução.









