sábado, 4 de julho de 2026

Com mercado de trabalho aquecido, Brasil atinge a menor taxa de subutilização da história

O excelente momento do mercado de trabalho brasileiro tem gerado impactos positivos que vão muito além da tradicional queda no desemprego. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta sexta-feira, dia 26 de junho de 2026, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país registrou a menor taxa de subutilização de mão de obra desde o início da série histórica, iniciada em 2012. O índice recuou para 13,3% no trimestre móvel encerrado em maio, superando o recorde positivo anterior de 13,4%, que havia sido alcançado no último trimestre de 2025.

A Pnad Contínua acompanha as condições de trabalho da população com 14 anos ou mais, incluindo trabalhadores com ou sem carteira assinada, autônomos e temporários. Enquanto a taxa de desemprego tradicional — que mede apenas quem procurou uma vaga e não encontrou — ficou em 5,6% até maio, a taxa de subutilização funciona como um termômetro mais amplo. Ela revela a parcela de cidadãos em idade ativa que gostaria de trabalhar mais, mas que não é totalmente aproveitada pelo mercado por diferentes razões.

Segundo o analista do IBGE, William Kratochwill, esse grupo é composto por três perfis diferentes. O primeiro envolve os próprios desempregados. O segundo abrange os subocupados, que são aquelas pessoas que trabalham menos de 40 horas semanais, mas têm disponibilidade e desejo de ampliar sua jornada. O terceiro grupo é a chamada força de trabalho potencial, dividida entre os não desalentados (pessoas que querem trabalhar e estão disponíveis, mas não procuraram vaga no período ou não puderam começar de imediato) e os desalentados (aqueles que desistiram de procurar emprego por acreditarem que não vão encontrar devido à idade, falta de qualificação ou escassez de vagas na região).

No trimestre encerrado em maio, o total de pessoas nessa situação caiu para 15,1 milhões, o que representa uma redução de 5,7% em relação ao trimestre anterior, quando o índice estava em 14,1%. O avanço fica ainda mais evidente na comparação anual: em maio de 2025, a taxa era de 14,9%, o que significa que 1,9 milhão de brasileiros deixaram a condição de subutilizados no período de um ano. Para se ter uma ideia da evolução, o pior momento desse indicador ocorreu em agosto de 2020, no auge da pandemia da covid-19, quando a subutilização atingiu o pico histórico de 30,7%.

Especialistas explicam que esses números comprovam que o mercado econômico está aquecido e absorvendo de forma rápida a mão de obra disponível no país. Com o estoque de trabalhadores desocupados ou disponíveis diminuindo progressivamente, a tendência natural é que haja uma mudança favorável aos profissionais. Diante da escassez de trabalhadores no mercado, as empresas precisarão elevar o valor dos salários e oferecer melhores condições e qualidade de contratação para conseguir atrair e reter novos funcionários.

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