quarta, 10 de junho de 2026

Com inteligência artificial e ajuda do Waze, Governo de SP lança plano tecnológico contra queimadas

A Defesa Civil do Estado de São Paulo anunciou um pacote de inovações tecnológicas para enfrentar a “fase vermelha” do ano, período em que os focos de incêndio disparam em todo o território paulista. A estratégia ganhou contornos de urgência devido à chegada do fenômeno climático El Niño, que promete elevar as temperaturas em todo o país. O plano conta com um painel de dados integrado por Inteligência Artificial (IA), monitoramento via satélite, milhares de câmeras e uma parceria inédita com o aplicativo de navegação Waze.

As novidades foram detalhadas nesta terça-feira (2) durante o lançamento da Operação SP Sem Fogo 2026, realizado no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista. O principal destaque é o Painel de Inteligência SP Sem Fogo, sistema que utiliza a IA para cruzar dados meteorológicos, mapas de risco e ocorrências em tempo real. A ferramenta permite que os agentes tomem decisões rápidas e até se antecipem aos incêndios, sendo abastecida por satélites capazes de flagrar fumaça ou calor ainda no estágio inicial. Outro pilar da operação é a chamada Muralha do Fogo, que vai integrar os sistemas de monitoramento de rodovias do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e de concessionárias privadas às milhares de câmeras do programa estadual Muralha Paulista. Para envolver a população, os motoristas que utilizam o Waze encontrarão um ícone exclusivo no aplicativo para alertar as autoridades sobre focos de incêndio ativos nas estradas.

De acordo com o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel PM Rinaldo de Araujo Monteiro, o objetivo é unir tecnologia em tempo real e fortalecimento dos municípios para responder de forma rápida e eficiente a qualquer emergência. Para este ano, o Plano de Contingência do governo estadual expandiu seu alcance para 613 municípios — um salto de 55% na comparação com o ano de 2024. A estrutura mobilizará mais de 3 mil agentes e recebeu investimentos para a compra de 100 caminhões-pipa, 23 viaturas, 220 kits de combate ao fogo e mais de 300 equipamentos de proteção e suporte, como sopradores e torres de iluminação. Antes do início da fase crítica, as equipes municipais passaram por 16 treinamentos presenciais para alinhar as táticas de resposta rápida.

O monitoramento também foi reforçado por terra. A Fundação Florestal e a Diretoria de Proteção e Fiscalização Ambiental fiscalizarão presencialmente 24 unidades de conservação mapeadas como zonas de alto risco. O trabalho preventivo já resultou em vistorias que cobriram mais de 1.100 quilômetros e geraram 23 notificações para que concessionárias limpassem as margens das rodovias. A Fundação Florestal também ampliou o uso de ferramentas de ponta, incluindo drones equipados com câmeras térmicas, aplicativos de localização geográfica e a criação automática de mapas que medem a gravidade da destruição do fogo.

Toda essa mobilização busca conter os efeitos de um El Niño considerado severo. Modelos meteorológicos da agência governamental norte-americana NOAA indicam que o fenômeno em 2026 pode ser um dos mais intensos dos últimos 30 anos no mundo. No Brasil, analistas da Climatempo apontam que os termômetros devem registrar marcas 2ºC acima da média, com picos de calor na primavera e no início do verão que podem superar os 35ºC, além de provocar tempestades severas e fortes rajadas de vento. A Operação SP Sem Fogo atua de forma permanente ao longo de todo o ano e une os esforços das secretarias estaduais de Meio Ambiente, Segurança Pública, Agricultura, além de instituições como o Corpo de Bombeiros, a Polícia Ambiental e a Cetesb.

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