

A tradicional festa do Fernanraiá contará, pelo segundo ano consecutivo, com a participação solidária da barraca da COFASP (Comunidade das Famílias São Pedro). Nesta edição, a grande aposta da entidade para conquistar o público são os doces típicos. Quem visitar o espaço poderá saborear delícias como maçã do amor, espetinho de morango com cobertura de chocolate, quebra-queixo e vários sabores de cocada, incluindo a de prestígio. Toda a renda arrecadada com as vendas será revertida para a manutenção dos trabalhos de assistência psicológica e psiquiátrica na cidade.

O projeto desempenha um papel fundamental em Fernandópolis, ajudando a combater o crescimento contínuo dos transtornos mentais, que hoje preocupam as autoridades de saúde e afetam desde crianças até idosos. Fundada originalmente em 1971 para acolher crianças abandonadas, a instituição mudou completamente o seu foco em 2021, quando completou 50 anos de história. A transformação foi idealizada pela psiquiatra doutora Amanda Careno, que sugeriu abrir atendimentos psiquiátricos voltados para toda a população do município. Atualmente, a comunidade funciona no bairro Jardim Araguaia, em um prédio cedido pelos padres jesuítas, sob a liderança do Padre Valdair Aparecido Rodrigues, pároco da Igreja de São Bernardo.
A importância do trabalho da COFASP se reflete diretamente em seus números de atendimento, que hoje somam 900 adultos e 120 crianças acompanhados na região. Para dar conta dessa demanda, a estrutura conta com sete médicos psiquiatras e o reforço de quase cem estudantes de medicina da Universidade Brasil, que atuam no local por meio de um sistema de estágio. A rede de apoio comunitário é fortalecida ainda pelo Seapsi, um serviço vinculado à Igreja Católica que oferece consultas psicológicas em clínicas particulares da cidade cobrando apenas valores simbólicos.


De acordo com a assistente social Daiane Ramos de Jesus, a entidade está sempre pronta para receber quem precisa de suporte emocional e médico, lidando com diferentes realidades conforme a idade dos pacientes. No caso das crianças, a maioria dos encaminhamentos é feita pelas próprias escolas municipais, que identificam sinais de transtorno do espectro autista, déficit de atenção e hiperatividade. Já entre o público adulto, a depressão é o diagnóstico mais comum na instituição. Os profissionais de saúde ressaltam que os casos de ansiedade e depressão dispararam consideravelmente após o período da pandemia, impulsionados tanto pelas sequelas biológicas do vírus quanto pelo processo de luto de famílias que perderam parentes. Por ser uma instituição filantrópica, a COFASP depende exclusivamente de doações, parcerias e festas beneficentes para continuar oferecendo tratamento gratuito e de qualidade.







