quinta, 11 de junho de 2026

Com crise de patrocinadores, Parada LGBT de SP perde 60% da receita e reduz trios elétricos

Foto: AME5822. SAO PAULO (BRASIL), 11/06/2023.- Personas participan hoy, en la 27 edición de la Marcha del Orgullo Gay 2023 en la avenida Paulista en Sao Paulo (Brasil). EFE/ Sebastiao Moreira

A organização da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo enfrenta um grave desafio financeiro para colocar o evento na rua. Às vésperas de celebrar sua histórica edição de 30 anos, agendada para o próximo dia 7 de junho na Avenida Paulista, a organização do desfile revelou ter sofrido uma queda drástica de 60% em seu orçamento entre os anos de 2025 e 2026. A debandada das marcas apoiadoras afetará diretamente a magnitude da festa: o número de trios elétricos, que chegou a 19 no ano passado, deve encolher para apenas 13 ou 14 veículos nesta edição.

De acordo com Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada, a conta para colocar a estrutura de pé continua pesada, já que os custos operacionais de cada trio elétrico giram em torno de 100 mil reais, valor que engloba a locação dos caminhões e o pagamento das equipes de segurança privada. Embora a entidade também promova outros eventos paralelos geradores de receita, como a Corrida do Orgulho e uma feira cultural de empreendedorismo, o patrocínio de grandes corporações sempre foi o pilar financeiro do desfile, mas esse apoio vem minguando de forma preocupante nos últimos anos.

O dirigente explica que essa retração do mercado privado se deve a uma mudança na contabilidade das empresas, que passaram a diluir as verbas antes exclusivas para a causa LGBT dentro de fundos maiores voltados para as chamadas políticas ESG, sigla que engloba projetos socioambientais e de governança. Na prática, recursos que eram focados na Parada agora competem com causas ambientais e sociais diversas, reduzindo o montante final a quase nada. Para piorar o cenário, a organização tentou reverter o prejuízo procurando cerca de 300 empresas historicamente simpáticas ao movimento, mas apenas duas aceitaram assinar contratos de patrocínio até o momento.

Além da burocracia corporativa, a liderança do evento associa o desinteresse das marcas a uma onda de conservadorismo global que ganhou força após o cenário político nos Estados Unidos, onde grandes companhias de tecnologia e entretenimento reduziram seus programas de diversidade. A atual escassez contrasta fortemente com o período pós-pandemia; em 2024, a Parada paulista viveu seu auge ao atingir o recorde de 18 marcas parceiras. Para especialistas do setor, o recuo empresarial reflete o medo das marcas de se posicionarem publicamente diante de temas que passaram a ser intensamente politizados e distorcidos no debate público, tornando a comunidade LGBT um alvo considerado mais vulnerável a cortes do que outros movimentos sociais.

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