

O aumento na frequência de acidentes causados por escorpiões no Brasil tem colocado a população e os órgãos de saúde em alerta. Altamente adaptados ao ambiente urbano, onde encontram água, abrigo e fartura de alimentos — como as baratas —, esses animais costumam entrar nas residências por meio de ralos, calhas, tubulações e caixas de fiação sem vedação. Diante desse cenário, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo orienta que a população adote medidas preventivas rigorosas e, em caso de picada, procure atendimento médico imediato, mesmo que o animal não tenha sido visto pela vítima.

Para evitar o aparecimento desses aracnídeos, que têm hábitos noturnos e se escondem facilmente em locais escuros, o segredo está no manejo do ambiente. Especialistas recomendam manter quintais e jardins limpos, sem acúmulo de lixo, entulho, folhas secas ou materiais de construção, além de acondicionar muito bem os resíduos domésticos para não atrair insetos. Dentro de casa, medidas simples como usar telas nas janelas, vedar frestas de portas com soleiras, fechar buracos em paredes e utilizar ralos do tipo “abre e fecha” ou tapetes de borracha são barreiras físicas eficientes. Também é importante evitar deixar roupas sujas ou molhadas no chão, afastar camas e móveis das paredes e sempre chacoalhar os sapatos antes de calçá-los. Vale destacar que crenças populares envolvendo o uso de plantas como alecrim, arruda, lavanda ou citronela não possuem nenhuma comprovação científica de eficácia para repelir os bichos.
Um dos maiores erros cometidos pela população ao encontrar um escorpião é o uso de inseticidas, venenos comuns ou produtos domésticos como vinagre e água sanitária. As autoridades de saúde alertam que a aplicação de produtos químicos é contraindicada, pois não garante a morte do aracnídeo, que consegue fechar seus canais respiratórios para sobreviver. Além disso, o veneno causa estresse no animal, fazendo com que ele fuja de seu esconderijo e se espalhe pela casa, aumentando o risco de acidentes. Esse estresse ambiental também é uma das hipóteses científicas que aceleram a partenogênese — um mecanismo de reprodução em que fêmeas de espécies como o escorpião-amarelo e o escorpião-amarelo-do-nordeste conseguem gerar entre 20 e 25 filhotes por gestação sozinhas, sem a necessidade de um macho.


Caso um escorpião seja avistado, a recomendação é chamar a prefeitura local. A captura só deve ser tentada se a pessoa se sentir totalmente segura, utilizando luvas grossas de couro, botas e um objeto longo e plano de haste firme para isolar o bicho em um pote plástico fundo com tampa. Se o pior acontecer e alguém for picado, o local deve ser lavado apenas com água e sabão, sendo permitida uma compressa morna para aliviar a dor imediata, que costuma ser intensa e pode se espalhar pelo membro. É terminantemente proibido amarrar o local, fazer torniquetes, espremer, sugar o veneno ou aplicar qualquer substância sobre a ferida, práticas que aceleram complicações e infecções. O paciente deve ser levado às pressas ao ponto de saúde mais próximo. No estado de São Paulo, o governo disponibiliza um mapa online com 242 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno, onde médicos avaliam a gravidade do quadro — que em crianças de até 10 anos pode evoluir rapidamente em menos de duas horas para vômitos, suor excessivo, arritmia e risco de morte — e aplicam o soro adequado produzido pelo Instituto Butantan.
Os animais de estimação também podem ser vítimas desses acidentes, embora de forma mais rara. Nos cães e gatos, o envenenamento causa muita dor, inchaço, vermelhidão e o pet pode começar a mancar ou demonstrar grande desconforto, evoluindo em casos graves para problemas respiratórios e alterações nos batimentos cardíacos. Da mesma forma que os humanos, os tutores não devem medicar o animal por conta própria ou usar receitas caseiras. O procedimento correto é lavar a região com água e sabão e encaminhar o pet imediatamente a um médico veterinário. Vale reforçar que o soro antiescorpiônico distribuído pelo SUS é de uso exclusivo humano e os tratamentos veterinários utilizam medicações específicas para estabilizar os sintomas dos animais.








