

Um levantamento realizado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) mostra que o bolso dos motoristas brasileiros sofreu menos com a disparada no preço do petróleo do que o de cidadãos de outros países. A pesquisa comparou o impacto da crise gerada pelo recente conflito no Oriente Médio, que envolveu os Estados Unidos, Israel e o Irã, e constatou que as altas da gasolina e do diesel por aqui ficaram bem abaixo da média global entre o fim de fevereiro e o início de junho de 2026.

Enquanto a média mundial de aumento foi de 17,5% para a gasolina e de 23,3% para o diesel, o Brasil registrou altas mais contidas, de 4,9% e 13,6%, respectivamente. O cenário nacional foi significativamente mais confortável do que o verificado nos Estados Unidos, onde a gasolina saltou 36,1% e o diesel subiu 36,8%. Mesmo na vizinha Argentina, os reajustes foram mais pesados que os brasileiros, atingindo 21,1% na gasolina e 23,7% no óleo diesel. De acordo com os pesquisadores do Ineep, esse resultado positivo foi reflexo direto das ações emergenciais e da política de subsídios adotada pelo governo federal para segurar a volatilidade dos preços.
Por outro lado, o instituto faz um alerta e aponta que essas medidas de contenção rápidas ajudam no momento da crise, mas não resolvem os problemas profundos do setor de energia a longo prazo. Os especialistas defendem que, para o Brasil se blindar de vez contra as reviravoltas do mercado internacional, é preciso investir em uma estratégia duradoura que envolva o fortalecimento da Petrobras, o aumento do número de refinarias no país e uma atuação mais forte da estatal no setor de distribuição de combustíveis.


O estudo do instituto cobriu todo o período de forte tensão internacional, que incluiu ataques aéreos, a morte do líder supremo do Irã e o bloqueio temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de navios petroleiros do mundo. Para completar o cenário nacional, os motoristas que utilizam carros flex ganharam um alívio extra no período. O preço do etanol registrou uma queda expressiva de 7,3%, motivada pelo início da safra de cana-de-açúcar de 2026/2027, que injetou uma grande quantidade do combustível vegetal nos postos e ajudou a equilibrar o mercado.








