

O policial penal Rogério Nicolete Souza, de 42 anos, que perdeu a vida em um grave acidente na Rodovia Washington Luís, em São José do Rio Preto, é lembrado por amigos e companheiros de profissão como um homem inteligente, humilde e de ótimo humor. O trágico episódio aconteceu na manhã da última sexta-feira, quando Rogério pilotava sua motocicleta a caminho do trabalho no Centro de Detenção Provisória da cidade. Ele foi atingido na traseira por uma carreta, cujo motorista fugiu sem prestar socorro, e acabou sendo atropelado logo em seguida por um carro que vinha logo atrás. O agente não resistiu aos ferimentos e morreu no local, deixando esposa e uma filha de apenas um ano.

A notícia causou profunda indignação entre os colegas da corporação. O policial penal Tiago Inocêncio, que dividiu a mesma bancada com Rogério durante o curso de formação na capital paulista em 2022, relembrou com carinho a convivência com o amigo. Segundo Tiago, Rogério se destacava nas aulas por sua participação ativa, inteligência aguçada e facilidade em arrancar risadas dos professores e companheiros de turma, mesmo diante da seriedade das matérias estudadas. A perda repentina e as circunstâncias do acidente deixaram a equipe em choque e inconformada com a partida de alguém considerado tão querido.
O caso também acendeu um alerta para a dura realidade enfrentada por esses profissionais em seus deslocamentos diários. Tiago destacou que a rotina de trabalho em um presídio é extremamente desgastante, com plantões que superam facilmente as 12 horas seguidas. Por precisarem arcar com os custos do próprio transporte para o trabalho, muitos policiais penais acabam optando por usar motocicletas como uma alternativa para economizar combustível, o que aumenta consideravelmente a exposição a acidentes graves nas rodovias.


Diante do cansaço físico e mental acumulado após as longas jornadas de vigilância, o trânsito se torna um perigo ainda maior para os motociclistas da área, que muitas vezes viajam quilômetros para voltar para casa. Colegas relatam que o uso da moto após um plantão exaustivo exige um nível de atenção que o corpo cansado nem sempre consegue oferecer, fazendo com que alguns prefiram pagar passagens de ônibus do próprio bolso para evitar novas tragédias nas pistas. A morte de Rogério reforça a discussão sobre a segurança e o apoio logístico oferecido aos servidores que cuidam do sistema prisional paulista.








