terça, 7 de julho de 2026

Cientistas desenvolvem traje de mergulho que permite que baratas respirem debaixo d’água

Cientistas desenvolveram um traje de mergulho impresso em 3D que permite às baratas respirarem debaixo d’água por até três horas. Isso pode permitir que esses insetos explorem áreas de desastre e até mesmo se aventurem no espaço, segundo estudo publicado na revista “Nature Communications”.

“Nosso novo traje de mergulho para insetos funciona como o tanque de oxigênio usado por mergulhadores humanos”, disse o autor principal do estudo, Hirotaka Sato, da Escola de Engenharia Mecânica e Aeroespacial da NTU de Singapura, conforme pelo site “SMBTech”.

Inicialmente, a equipe de cientista demonstrou que baratas-bufadoras-de-madagascar podiam ser controladas remotamente através da instalação de eletrodos em seus órgãos sensoriais. A medida, que se provou eficaz até com enxames dessas baratas-robô, abriu caminho para criar “drones” de resgate orgânicos capazes de vasculhar zonas de desastre em busca de sobreviventes.

Mas havia um problema “natural”: as baratas-robô não se saíam bem na água, o que prejudicava sua capacidade de navegar por áreas inundadas.

Para contornar essa limitação, os cientistas equiparam o inseto ciborgue com um traje de resina impermeável impresso em 3D. Esse traje gera oxigênio e o fornece aos espiráculos — os orifícios respiratórios — dos animais, permitindo que operem tanto na água quanto em terra firme.

Em vez de equipar as baratas com um tanque de oxigênio convencional, os pesquisadores abasteceram o traje com uma mistura de peróxido de hidrogênio e dióxido de manganês, que reagem para produzir oxigênio (O2) absorvível.

Cientistas desenvolvem traje de mergulho que permitem que baratas respirem debaixo d'agua por até 3 horas — Foto: Reprodução
Cientistas desenvolvem traje de mergulho que permitem que baratas respirem debaixo d’agua por até 3 horas — Foto: Reprodução
Pesquisadores abasteceram o traje com uma mistura de peróxido de hidrogênio e dióxido de manganês, que reagem para produzir oxigênio (O2) absorvível — Foto: Reprodução
Pesquisadores abasteceram o traje com uma mistura de peróxido de hidrogênio e dióxido de manganês, que reagem para produzir oxigênio (O2) absorvível — Foto: Reprodução

Munidas desse exoesqueleto aquático, as baratas tiveram um desempenho excelente em testes de resgate anfíbio, realizados em tubos de plástico que simulavam túneis inundados e outros ambientes com baixo teor de oxigênio. Os insetos resistentes conseguiam se movimentar por até 3 horas seguidas, a cerca de 30 centímetros de profundidade, sem sofrer efeitos adversos. Eles também atingiram velocidades de até 78,4 milímetros por segundo — apenas 10 mm a menos que sua velocidade média em terra.

Para Sato, os trajes especiais para baratas são um marco “porque locais de desastre reais podem ser desafiadores após chuvas fortes ou inundações, bloqueando rotas de acesso em meio a escombros, bueiros e fendas estreitas”.


“Ao expandir os parâmetros operacionais de nossos insetos ciborgues para incluir o deslocamento subaquático, acreditamos que eles possam aprimorar as operações de busca e salvamento”, celebrou ele.

Hirotaka Sato (à frente da equipe que lidera em Cingapura) segura barata-robô capaz de mergulhar — Foto: Reprodução
Hirotaka Sato (à frente da equipe que lidera em Cingapura) segura barata-robô capaz de mergulhar — Foto: Reprodução

Além de criar uma força de auxílio em resgates, Sato sonha com o uso das baratas-robô em outra fronteira: a espacial.

“É, de certa forma, um passo, um grande passo, rumo a trajes espaciais para insetos ciborgues. Para exploração da superfície de Marte, por exemplo”, declarou ele.

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