segunda, 6 de abril de 2026

Cientista de Catanduva utiliza Inteligência Artificial para desenvolver molécula que ataca células cancerígenas

Uma pesquisa inovadora liderada pelo médico brasileiro José Emilio Fehr Pereira Lopes, formado pela Faculdade de Medicina de Catanduva, está utilizando a Inteligência Artificial (IA) para dar um passo importante na luta contra o câncer. O estudo, realizado em colaboração com a Harvard Medical School, foca no desenvolvimento de uma molécula sintética capaz de identificar e destruir células tumorais de forma seletiva. O trabalho teve início em 2009 e conta com uma equipe multidisciplinar que une engenharia molecular e modelagem computacional para acelerar descobertas que, sem o auxílio da tecnologia, poderiam levar décadas para serem compreendidas.

A grande aliada dos cientistas tem sido uma plataforma experimental de IA, descrita por Pereira Lopes como um “olho invisível”. O sistema analisa milhões de combinações simultaneamente para identificar padrões no metabolismo das células doentes, que consomem muito mais açúcar e energia do que as saudáveis para crescer. Essa diferença funciona como uma “assinatura” que a tecnologia consegue rastrear, permitindo que os pesquisadores guiem o tratamento com precisão cirúrgica diretamente ao alvo, preservando o restante do organismo.

Um dos principais desafios superados com a ajuda da IA foi garantir que o medicamento chegasse intacto ao tumor. O corpo humano frequentemente identifica substâncias estranhas como invasoras e as destrói antes que cumpram sua função. Para resolver isso, os cientistas criaram a molécula A14, apelidada de “biointeligente”, que viaja protegida por uma espécie de cápsula de açúcar. A Inteligência Artificial ajudou a ajustar esse transporte para que a substância seja liberada apenas no momento ideal, garantindo que a droga chegue “viva” e ativa ao interior da célula cancerígena.

Apesar dos resultados promissores obtidos em anos de testes laboratoriais, a pesquisa entra agora em uma fase crucial de busca por investimentos. O objetivo dos cientistas é refinar ainda mais a precisão do estudo para submetê-lo ao Food and Drug Administration (FDA), o órgão regulador dos Estados Unidos, e obter autorização para testes clínicos em humanos. Para que essa tecnologia se transforme em uma solução real para os pacientes, o grupo busca parceiros e empresas interessadas em financiar as etapas finais de um projeto que promete revolucionar a oncologia moderna.

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