

Uma pesquisa inovadora liderada pelo médico brasileiro José Emilio Fehr Pereira Lopes, formado pela Faculdade de Medicina de Catanduva, está utilizando a Inteligência Artificial (IA) para dar um passo importante na luta contra o câncer. O estudo, realizado em colaboração com a Harvard Medical School, foca no desenvolvimento de uma molécula sintética capaz de identificar e destruir células tumorais de forma seletiva. O trabalho teve início em 2009 e conta com uma equipe multidisciplinar que une engenharia molecular e modelagem computacional para acelerar descobertas que, sem o auxílio da tecnologia, poderiam levar décadas para serem compreendidas.

A grande aliada dos cientistas tem sido uma plataforma experimental de IA, descrita por Pereira Lopes como um “olho invisível”. O sistema analisa milhões de combinações simultaneamente para identificar padrões no metabolismo das células doentes, que consomem muito mais açúcar e energia do que as saudáveis para crescer. Essa diferença funciona como uma “assinatura” que a tecnologia consegue rastrear, permitindo que os pesquisadores guiem o tratamento com precisão cirúrgica diretamente ao alvo, preservando o restante do organismo.
Um dos principais desafios superados com a ajuda da IA foi garantir que o medicamento chegasse intacto ao tumor. O corpo humano frequentemente identifica substâncias estranhas como invasoras e as destrói antes que cumpram sua função. Para resolver isso, os cientistas criaram a molécula A14, apelidada de “biointeligente”, que viaja protegida por uma espécie de cápsula de açúcar. A Inteligência Artificial ajudou a ajustar esse transporte para que a substância seja liberada apenas no momento ideal, garantindo que a droga chegue “viva” e ativa ao interior da célula cancerígena.
Apesar dos resultados promissores obtidos em anos de testes laboratoriais, a pesquisa entra agora em uma fase crucial de busca por investimentos. O objetivo dos cientistas é refinar ainda mais a precisão do estudo para submetê-lo ao Food and Drug Administration (FDA), o órgão regulador dos Estados Unidos, e obter autorização para testes clínicos em humanos. Para que essa tecnologia se transforme em uma solução real para os pacientes, o grupo busca parceiros e empresas interessadas em financiar as etapas finais de um projeto que promete revolucionar a oncologia moderna.









