

Um estudo publicado nesta semana no “Reproductive BioMedicine Online” afirma que estamos muitos distantes de produzir “bebês espaciais” com segurança, contrariando as previsões da ficção científica.

O trabalho assinado pelo embriologista clínico Giles Palmer, da International IVF Initiative, aponta que a radiação, a microgravidade e até mesmo a poeira lunar tóxica podem afetar a fertilidade, interromper gestações e colocar em risco a vida futura dos filhos.
O alerta de Palmer tem como alvo as anunciadas novas missões lunares e os sonhos de colonizar Marte. Para o cientista, precisamos de um plano sério para salvaguardar a fertilidade e construir parâmetros éticos antes que a empolgação ultrapasse a ciência.
O estudo mostra que o espaço sideral é hostil à reprodução humana. A radiação pode danificar o DNA e aumentar o risco de câncer e a microgravidade interfere nos hormônios, na qualidade dos gametas e no desenvolvimento embrionário. Não se trata apenas de raios e ausência de gravidade; poeira tóxica, recursos limitados, contaminação em espaçonaves seladas, disrupção do ritmo circadiano e estresse representam ameaças à saúde materna e fetal, com potenciais efeitos hereditários a longo prazo.
Palmer também destaca que sabemos pouco sobre como missões de longa duração afetam a fertilidade e os resultados da gravidez. Astronautas da era do ônibus espaciais relataram gestações em grande parte normais posteriormente, mas as informações sobre voos mais longos são escassas. Dados de mulheres que participaram de missões curtas sugerem que as taxas de gravidez e as complicações não foram drasticamente diferentes, mas esses voos foram curtos em comparação com os períodos de meses agora comuns na Estação Espacial Internacional, sem falar dos anos necessários para uma missão a Marte.
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Astronauta da Nasa e engenheiro de voo da Expedição 73, Jonny Kim, realiza operações de pesquisa dentro da caixa de luvas de microgravidade para ciências da vida do módulo Destiny — Foto: Divulgação/Nasa
O trabalho científico pede a criação de uma estrutura global, blindagem mais robusta, contramedidas médicas e ferramentas de reprodução assistida de última geração, além de uma ética rigorosa focada no consentimento informado, transparência, igualdade de gênero e proteção das futura gerações.
Palmer finaliza afirmando que, se não conseguirmos proteger a saúde reprodutiva, a colonização de Marte ou de qualquer outro planeta a longo prazo parece fantasiosa e que a pergunta que bilionários e governo fazem — Podemos formar famílias no espaço? — não tem uma resposta muito otimista.









