

Com pouco mais de 2,8 mil moradores, a pequena cidade de Gabriel Monteiro, localizada na região de Araçatuba, conquistou um feito histórico ao garantir a oitava posição entre os 5.570 municípios brasileiros no Índice de Progresso Social. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Imazon em parceria com diversas organizações sociais, avaliou 57 indicadores exclusivamente voltados para o bem-estar da população. Diferentemente de estudos focados apenas na riqueza financeira das prefeituras ou no Produto Interno Bruto, esse ranking mede o impacto real dos serviços públicos no cotidiano das pessoas, analisando quesitos como saúde, educação, meio ambiente, moradia e segurança.

Gabriel Monteiro obteve a nota geral de 71,6 em uma escala que vai até 100, um resultado que superou de forma expressiva grandes polos econômicos vizinhos do noroeste paulista. A cidade de Araçatuba, por exemplo, ficou na 76ª colocação nacional com nota 69,21, enquanto São José do Rio Preto, o município mais rico da região, amargou o 270º lugar no ranking do país com 67,35 pontos. O grande trunfo do pequeno município foi o investimento em necessidades básicas, setor no qual atingiu quase 88 pontos. Dados oficiais do IBGE ajudam a ilustrar esse sucesso prático, revelando que quase 90% das residências da cidade contam com redes adequadas de esgoto e que impressionantes 98,8% das ruas urbanas são totalmente arborizadas. A área educacional também se destacou, com praticamente todas as crianças em idade escolar matriculadas e frequentando as salas de aula.
Por outro lado, o estudo serviu para acender um sinal de alerta sobre os desafios que até mesmo as cidades mais bem avaliadas enfrentam. O ponto fraco de Gabriel Monteiro foi a área que mede as oportunidades de crescimento dos cidadãos, que inclui o acesso ao ensino superior, direitos individuais e inclusão social. Nesse quesito específico, a cidade registrou sua menor pontuação, acompanhando uma tendência preocupante que afeta todo o território nacional. Segundo os coordenadores da pesquisa, a falta de oportunidades e as barreiras para ingressar nas universidades representam a pior média de desempenho entre os municípios de todo o país.
As duas grandes cidades da região também apresentaram um comportamento semelhante, com ótimos resultados estruturais, mas notas baixas no quesito de desenvolvimento social e inclusão. Araçatuba se destacou na área de qualidade ambiental e acesso à informação, mantendo índices elevados de saneamento e uma das melhores taxas de escolarização infantil do estado. Já São José do Rio Preto, apesar de sua excelente infraestrutura de saúde e baixos índices de mortalidade infantil, viu sua posição geral despencar no ranking por conta de uma nota muito baixa na avaliação de oportunidades e inclusão social para seus mais de 500 mil habitantes. Segundo os organizadores do estudo, a pesquisa reforça que o foco dos governantes deve ser a entrega real de bem-estar aos cidadãos e não apenas a atração de investimentos corporativos ou o acúmulo de riquezas que não chegam à ponta final da sociedade.







