sexta, 20 de fevereiro de 2026

Ciclistas de Rio Preto trocam o carnaval por jornada de 900 quilômetros rumo a Aparecida

Enquanto muitos se preparam para as festas ou o descanso do feriado de carnaval, um grupo de nove amigos de São José do Rio Preto escolheu um caminho diferente e desafiador. Na madrugada desta quinta-feira (12), eles partiram em uma peregrinação de bicicleta com destino ao Santuário Nacional de Aparecida. O trajeto escolhido é o Ramal São José, o percurso mais longo do famoso Caminho da Fé, que exige percorrer cerca de 900 quilômetros sobre duas rodas para atravessar o estado.

A viagem começou logo cedo, às 5h, com a saída na Basílica Menor de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Rio Preto. O organizador da jornada, o empresário Renato Lima, de 41 anos, explica que o planejamento prevê entre oito e nove dias de estrada, embora o grupo tenha reservado dez dias para lidar com possíveis imprevistos, como as chuvas típicas desta época do ano. Para os ciclistas, o carnaval é a única oportunidade do ano em que todos conseguem conciliar as agendas de trabalho para realizar a expedição, que une a prática esportiva à renovação espiritual.

A rotina na estrada é rigorosa: os fiéis começam a pedalar por volta das 6h30 e seguem até o anoitecer, descansando em pousadas e hotéis já reservados pelo caminho. Nos primeiros dias, o ritmo é intenso, chegando a cobrir 180 quilômetros em uma única jornada, mas o esforço é reduzido gradualmente conforme o corpo sente o desgaste físico. Renato, que começou a pedalar em 2017 e já chegou a percorrer mais de mil quilômetros em outra viagem saindo do Paraná, reforça que a preparação física envolve treinos durante a semana e percursos longos aos sábados e domingos.

Para o organizador, no entanto, a motivação vai muito além do condicionamento físico. A peregrinação carrega um peso emocional profundo desde 2021, quando ele perdeu a mãe, Maria Aparecida, para a Covid-19. Na época, Renato chegou a vender sua bicicleta e desistir de viajar, mas conta que um sonho com a mãe e a avó o incentivou a retomar o projeto e honrar a devoção que recebeu como herança familiar. Ao chegar ao Santuário, o grupo espera não apenas completar um desafio esportivo, mas reafirmar uma tradição de fé e proteção que, para eles, é o que realmente permite superar qualquer limite.

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