domingo, 14 de junho de 2026

Charge da Folha de S.Paulo sobre magistratura causa revolta no Judiciário após morte de juíza

Uma charge publicada pelo jornal Folha de S.Paulo no último sábado despertou uma onda de indignação e notas de repúdio vindas das principais cúpulas do Poder Judiciário brasileiro. O desenho, que apresenta uma lápide com uma frase irônica sobre a perda da vida e de benefícios financeiros, conhecidos como “penduricalhos”, foi interpretado por magistrados como um ataque insensível e oportuno. O protesto das entidades ganha força devido ao contexto emocional do setor, já que a publicação ocorreu poucos dias após o falecimento da juíza Mariana Francisco Ferreira, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que gerou grande comoção nacional.

Diversas instituições de peso, como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), manifestaram-se oficialmente contra o conteúdo. Em seus posicionamentos, as entidades ressaltaram que, embora defendam a liberdade de imprensa e o direito à crítica como fundamentais para a democracia, consideram que a peça ultrapassou o limite do respeito humano. Para os representantes da classe, o uso de símbolos fúnebres para criticar questões remuneratórias em um momento de luto feriu a ética e a sensibilidade.

O episódio também direcionou os holofotes para a autora da obra, a arquiteta e ilustradora Marília Marz, que colabora semanalmente com o jornal. Marília possui uma carreira consolidada e premiada no universo das histórias em quadrinhos, com passagens acadêmicas pelos Estados Unidos e trabalhos realizados para grandes marcas e instituições culturais, como o Sesc e o Instituto Moreira Salles. Ela é reconhecida por obras autorais importantes, como a HQ “Indivisível”, que foi indicada a prêmios e selecionada para programas nacionais de incentivo à leitura.

Apesar da forte repercussão negativa e das cobranças por parte de juízes e desembargadores, tanto a Folha de S.Paulo quanto a chargista ainda não se manifestaram publicamente sobre o caso. A ilustradora mantém seu perfil em redes sociais restrito a seguidores próximos, e o jornal não publicou nenhuma nota de esclarecimento até o momento. Enquanto isso, o debate sobre os limites do humor e da crítica institucional segue aquecido nos bastidores do mundo jurídico e da comunicação.

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