terça, 30 de junho de 2026

CFM lança sistema com inteligência artificial para ampliar fiscalização médica no país

O Conselho Federal de Medicina (CFM) apresentou nesta terça-feira (9) uma nova ferramenta baseada em inteligência artificial para reforçar a fiscalização da atividade médica em todo o Brasil. O sistema será utilizado pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) e faz parte da Plataforma Nacional de Fiscalização da entidade.

Segundo o CFM, a expectativa é aumentar em até 30% o número de fiscalizações realizadas nos próximos dois anos. A tecnologia foi desenvolvida para ampliar a capacidade de identificar irregularidades, monitorar situações de risco e agilizar a atuação dos órgãos responsáveis pela supervisão do exercício da medicina.

Durante o lançamento, realizado em Brasília, o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, afirmou que a nova ferramenta servirá como apoio aos médicos fiscais, oferecendo informações para acelerar a tomada de decisões. Ele ressaltou que a inteligência artificial não substituirá os profissionais responsáveis pelas inspeções.

De acordo com o conselho, a modernização do sistema busca reduzir a burocracia, fortalecer a gestão das informações e melhorar a proteção à saúde da população.

O diretor responsável pelo Departamento de Inteligência Artificial do CFM, Jeancarlo Cavalcante, explicou que a digitalização dos dados e a migração para sistemas em nuvem permitiram mais transparência e facilitaram o acompanhamento das fiscalizações por gestores e responsáveis técnicos das unidades de saúde.

Segundo ele, a utilização de inteligência artificial em uma estrutura que reúne mais de 600 mil médicos registrados coloca o Brasil em posição pioneira entre os conselhos de medicina no mundo.

A plataforma reúne informações do CFM e dos CRMs, incluindo históricos de vistorias, cadastros profissionais e dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). O sistema também fará cruzamentos com informações da Receita Federal e monitorará conteúdos publicados em redes sociais e outros ambientes digitais.

Entre as funções previstas está a identificação de denúncias relacionadas a problemas estruturais em hospitais e a detecção de possíveis casos de exercício ilegal da medicina. As informações encontradas pela inteligência artificial passarão por análise humana antes de qualquer medida ser adotada.

Com a nova versão da Plataforma Nacional de Fiscalização, o CFM pretende abandonar um modelo baseado apenas em denúncias e passar a atuar de forma preventiva, utilizando análise de dados e mecanismos de previsão para identificar riscos antes que eles causem prejuízos à população.

A entidade informou ainda que todo o tratamento das informações seguirá as normas previstas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), com medidas voltadas à segurança e à privacidade dos dados utilizados pelo sistema.

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