


O futuro das viagens internacionais no Brasil entrou no centro de um debate polêmico nesta terça-feira. Jerome Cadier, CEO da Latam, afirmou que a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 pode trazer consequências graves para o setor aéreo. Durante a apresentação dos resultados financeiros da companhia, o executivo chegou a dizer que, dependendo de como a regra for aplicada, as operações intercontinentais no país poderiam deixar de existir. A preocupação de Cadier reside na falta de clareza sobre como a nova jornada afetaria pilotos e comissários, cujas funções exigem períodos de trabalho prolongados em voos longos.

O executivo explicou que algumas versões do projeto de lei em discussão no Congresso poderiam limitar as jornadas de trabalho a oito horas, o que tornaria impossível realizar voos diretos para destinos distantes, como Europa ou Estados Unidos. Para ele, é essencial que os parlamentares considerem as particularidades da aviação, já que as tripulações dependem de regras flexíveis para operar rotas que atravessam oceanos. Apesar do alerta, Cadier demonstrou otimismo de que os deputados farão os ajustes necessários para não prejudicar a conectividade do Brasil com o resto do mundo.
O desabafo do CEO aconteceu em um momento de celebração financeira para a empresa. A Latam registrou o melhor desempenho trimestral de sua história no início de 2026, com um lucro líquido de 576 milhões de dólares, o equivalente a cerca de R$ 3 bilhões. A companhia transportou quase 23 milhões de passageiros no período, um crescimento expressivo que mostra a alta demanda pelo transporte aéreo no país, com aviões decolando com mais de 85% de ocupação.







Enquanto a empresa colhe resultados históricos, o clima em Brasília é de pressa. O relator da proposta na Câmara, deputado Leo Prates, apresentou o cronograma de trabalho da comissão especial e planeja votar o relatório final no dia 26 de maio. Se o calendário for seguido, o fim da escala 6×1 poderá ser votado pelo plenário da Câmara já no dia 27 de maio, após uma série de audiências públicas destinadas a ouvir os diferentes setores da economia afetados pela mudança.























