segunda, 4 de maio de 2026

Casos de sarna em animais silvestres saltam 700% em oito anos no estado de São Paulo

Foto: TV TEM

O avanço da sarna entre animais silvestres tornou-se um sinal de alerta para especialistas no estado de São Paulo. Dados da associação Mata Ciliar, localizada em Jundiaí, revelam que as ocorrências da doença cresceram 700% nos últimos oito anos. De acordo com veterinários, esse aumento expressivo está diretamente ligado à crescente proximidade entre a fauna selvagem e as áreas urbanas, o que facilita o contato dos bichos com patógenos que antes ficavam restritos às cidades.

Um dos exemplos recentes desse cenário foi o resgate de um lobo-guará na cidade de Pedreira, em dezembro. O animal foi encontrado bastante debilitado e com um quadro avançado de sarna, precisando passar por cirurgia e um rigoroso tratamento intensivo. Casos como esse exigem estratégias modernas de monitoramento, como o uso de armadilhas fotográficas para identificar indivíduos doentes na mata. Os principais sinais da infecção são a queda excessiva de pelos e a dificuldade de locomoção, sintomas que deixam os animais vulneráveis e incapazes de caçar.

A recuperação desses animais envolve um processo cuidadoso que começa com a quarentena, fundamental para impedir que a sarna se espalhe para outros bichos em tratamento. Após a cura, os animais são levados para áreas de adaptação gradual, onde recebem estímulos para recuperar seus instintos naturais antes de retornarem definitivamente ao seu habitat. No caso do lobo-guará de Pedreira, o tratamento foi considerado um sucesso absoluto pelos veterinários, que agora preparam a etapa final da reabilitação.

O combate a essa doença é visto como urgente devido à importância ecológica de espécies como o lobo-guará, que está ameaçado de extinção. Conhecido como o “semeador da natureza”, ele desempenha um papel vital na regeneração do Cerrado ao espalhar sementes de frutas por meio de suas fezes. A preservação desses animais é essencial para o equilíbrio do ecossistema, mas os especialistas reforçam que o controle das doenças urbanas que invadem as áreas de mata é hoje um dos maiores desafios para a conservação ambiental.

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