quinta, 1 de janeiro de 2026

Casos de HIV e Aids caem no noroeste paulista; acesso à PrEP e PEP é apontado como fator

Dados recentes da Secretaria Estadual de Saúde indicam uma queda significativa nos casos de infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e de Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (Aids) no noroeste paulista, em comparação com o ano passado. O levantamento foi divulgado em dezembro, mês de alerta para a luta contra a Aids.

A região de Araçatuba (SP) registrou a maior queda proporcional. As notificações de HIV passaram de 127 em 2024 para 86 neste ano, e os casos de Aids tiveram uma redução ainda mais expressiva, caindo de 89 para 37 no mesmo período. Na região de São José do Rio Preto (SP), os casos de HIV caíram de 255 para 207, e os de Aids, de 166 para 124.

Prevenção e Tratamento Precoce

A médica infectologista Renata Zorgetti Manganaro destacou que a redução coincide com a ampliação do acesso às profilaxias de prevenção: a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e a PEP (Profilaxia Pós-Exposição).

“Quem inicia o tratamento precocemente, usa regularmente e alcança carga viral indetectável tem expectativa de vida praticamente normal,” detalhou a médica, reforçando que nem todo paciente com HIV desenvolve a Aids.

No entanto, a médica alerta que ainda é comum o diagnóstico tardio, o que ocorre por baixa percepção de risco, falta de testagem de rotina e o estigma associado à busca por serviços de saúde. Ela aconselha que toda pessoa sexualmente ativa deve testar periodicamente, mesmo sem sintomas.

Uso de Profilaxias (PEP e PrEP)

Desde 2018, o Ministério da Saúde (MS) registra 4.213 dispensações de PEP (uso após possível exposição ao vírus) em Rio Preto e 1.453 em Araçatuba. A maior parte dos atendimentos foi motivada por contato sexual consentido. O perfil dos usuários da PEP é majoritariamente de jovens e adultos entre 25 e 39 anos. A PEP é considerada uma urgência e deve ser iniciada, idealmente, nas primeiras duas horas, e em até 72 horas após a exposição.

Em relação à PrEP (uso diário para prevenção), atualmente 755 pessoas fazem uso ativo em Rio Preto e 149 em Araçatuba. A medicação, quando usada corretamente, reduz em mais de 90% o risco de infecção pelo HIV.

Apesar dos números expressivos de usuários ativos, o painel do MS aponta que 312 pessoas em Rio Preto e 267 em Araçatuba descontinuaram o tratamento de PrEP, reforçando a necessidade de acompanhamento regular.

Notícias relacionadas