

O estado de São Paulo registrou um aumento nos crimes de feminicídio e estupro nos primeiros cinco meses do ano, impulsionado principalmente pela violência registrada nas cidades do interior. De acordo com o balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o território paulista contabilizou 124 assassinatos de mulheres motivados por questões de gênero entre janeiro e maio, superando as 107 ocorrências notificadas no mesmo período do ano passado. O interior foi o principal responsável por esse crescimento, concentrando 85 do total de mortes. A cúpula da segurança pública destacou que combater o feminicídio — que é o homicídio cometido em contexto de violência doméstica ou por discriminação à condição de mulher — permanece como um dos maiores e mais complexos desafios para as forças policiais e para a rede de proteção social.

Apesar do balanço negativo no acumulado do ano, o mês de maio trouxe um alívio pontual, apresentando uma queda expressiva nas mortes de mulheres, que recuaram de 26 para 18 casos em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Essa melhora foi mais visível no interior, onde os registros caíram quase pela metade. A comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Anselmo Cavalli, ressaltou que nenhuma morte desse tipo é tolerável e que a corporação segue investindo fortemente em ações preventivas, ferramentas tecnológicas de atendimento e treinamento adequado para que os policiais saibam acolher as vítimas com eficiência e sensibilidade.
Para os especialistas que atuam no combate a esse crime, a denúncia precoce continua sendo a melhor ferramenta para salvar vidas. A delegada Cristiane Braga, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) do estado, alertou que o feminicídio raramente acontece de forma isolada, funcionando quase sempre como o desfecho trágico de um longo histórico de agressões físicas, verbais ou psicológicas. Ela enfatizou a importância de incentivar a população a denunciar os abusos domésticos antes que a situação saia do controle, reforçando que o acolhimento rápido desfaz o ciclo de violência e evita novas tragédias familiares.


O levantamento oficial da secretaria também acendeu um alerta para o avanço nos crimes sexuais. As notificações de estupro no estado subiram de 6.219 casos nos primeiros cinco meses do ano passado para 6.500 registros no mesmo intervalo deste ano. O mês de maio também seguiu a tendência de alta, saltando de 1.183 agressões sexuais para 1.320 queixas formais.
Por outro lado, os crimes contra a vida de forma geral apresentaram uma melhora histórica no estado. O número de homicídios dolosos, quando há a intenção de matar, caiu para 163 ocorrências em maio, estabelecendo o menor índice para o mês desde o início da contagem oficial em 2001. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o indicador despencou para 970 casos, quebrando a barreira inédita de mil mortes no período. O secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, atribuiu esses resultados positivos à integração das polícias, ao combate focado no crime organizado e ao uso estratégico da tecnologia. O crime de latrocínio, que é o roubo seguido de morte, também apresentou queda expressiva de janeiro a maio, recuando de 58 para 38 ocorrências, mantendo a estabilidade apenas no recorte isolado do mês de maio.








