

Uma operação conjunta entre a Polícia Militar e o Conselho Tutelar resultou na prisão de um casal na noite desta quinta-feira (19), em Riolândia, no interior de São Paulo. Os tios de uma adolescente de 12 anos são suspeitos de torturar a menina, que foi encontrada com diversas marcas de agressão pelo corpo e visíveis sinais de desnutrição. A investigação da Polícia Civil aponta que a menor era submetida a uma rotina de violência extrema, incluindo socos, chutes e golpes com pedaços de pau e cabos de vassoura, situação que se estenderia por pelo menos um ano.

O caso começou a ser descoberto na última terça-feira (17), após uma denúncia anônima chegar aos conselheiros tutelares. Ao visitarem a fazenda onde a família reside, os agentes foram informados pela tia que a sobrinha estaria na casa da avó. No entanto, o desencontro de informações e a negativa da avó levantaram suspeitas imediatas, levando o Conselho Tutelar a solicitar o apoio da Polícia Militar para uma busca minuciosa na propriedade rural. A menina foi finalmente localizada escondida no local, apresentando um quadro de saúde debilitado e ferimentos recentes e antigos.
Em depoimento às autoridades, a adolescente confirmou que sofria humilhações e agressões constantes praticadas pela tia. O tio também foi detido por omissão, já que, segundo as investigações, tinha conhecimento dos abusos e não interveio para proteger a sobrinha. A situação de vulnerabilidade da vítima era acentuada pelo contexto familiar, uma vez que ela vivia com os tios por não ter o paradeiro da mãe conhecido e não possuir o nome do pai no registro de nascimento.
Após o resgate, a menina recebeu atendimento médico na Santa Casa de Riolândia e foi encaminhada para um abrigo municipal, onde recebe acompanhamento psicológico e social. O casal teve a prisão temporária decretada pela Justiça pelo crime de tortura e permanece à disposição das autoridades policiais. O caso segue sob investigação para apurar se outras pessoas tinham conhecimento da situação e para garantir que a adolescente receba a proteção integral prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.









