

A investigação sobre o caso da mulher de 37 anos presa por se passar por uma menina de 12 anos ganhou novos elementos com a revelação de seu comportamento em anos anteriores. A diretoria de uma organização não governamental (ONG) de Belo Horizonte, em Minas Gerais, divulgou cartas e desenhos antigos feitos por Amanda Maria Souza de Oliveira, que foi detida nesta semana em Santa Catarina após enganar instituições de acolhimento e famílias se aproveitando de abrigos.

De acordo com Delma Soares, responsável pelo Projeto ComPaixão, Amanda frequentou a instituição entre os anos de 2017 e 2018. Naquela época, ela utilizava o nome falso de Karol e afirmava ter sido vítima de violência familiar e abuso sexual. Nos papéis escritos à mão, decorados com desenhos de corações e personagens infantis, a suspeita demonstrava carinho e gratidão pelas doações recebidas no Natal, relatando que nunca havia ganhado presentes antes e chamando a coordenadora de “heroína” e “Tia Delma”. Em um dos trechos, Amanda também afirmava ter tido um filho em decorrência dos abusos sofridos e dizia se sentir culpada por estar sendo bem tratada na ONG enquanto o bebê teria ficado sob os cuidados do pai dela.
A farsa atual foi desmontada na última terça-feira, dia 2 de junho, quando a Polícia Civil prendeu Amanda em flagrante no distrito de Pirabeiraba, na cidade de Joinville, em Santa Catarina. Ela é investigada pelos crimes de estelionato e falsa identidade depois de passar 14 meses morando com uma família local que acreditava que ela era uma adolescente de 12 anos adotada. Desta vez, ela se apresentava como Gabriele e, após confessar o crime em depoimento, foi levada para o Presídio Regional de Joinville.


Para sustentar a mentira e justificar seus traços físicos de adulta, Amanda dizia aos novos pais que era autista e que um suposto pai abusador a havia obrigado a tomar hormônios na infância para fins de prostituição. Sem apresentar nenhum documento, ela também convenceu o casal a não matriculá-la no colégio, alegando que o antigo agressor poderia encontrá-la através do registro escolar. Enganados, os falsos pais chegaram a fazer uma festa de aniversário de 12 anos para a mulher, forneceram medicamentos para obesidade e planejavam formalizar o processo de adoção. O golpe só foi descoberto depois que um parente da família desconfiou da situação e fez uma denúncia, levando as vítimas a procurarem a polícia. As autoridades constataram que a mulher já era conhecida por aplicar o mesmo tipo de golpe em diversos estados brasileiros, acumulando passagens policiais em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.








