quinta, 16 de julho de 2026

Cansaço ao subir escadas pode ser sinal de insuficiência cardíaca, doença que afeta 1,7 milhão de brasileiros

Sentir falta de ar ao subir uma escada ou realizar pequenos esforços do dia a dia pode ser um sinal de alerta muito mais grave do que o simples sedentarismo. Nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) aproveita o Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca para conscientizar a população sobre essa síndrome, que já atinge cerca de 1,7 milhão de pessoas no país. Como os principais sintomas — dificuldade para respirar, fadiga muscular e retenção de líquidos — são comuns, muitas pessoas acreditam que o incômodo faz parte do processo natural de envelhecimento, adiando a busca por ajuda médica.

De acordo com o cardiologista Marcus Simões, membro da SBC, é justamente no momento do esforço físico que o coração dá os primeiros sinais de que não está funcionando bem, pois o músculo cardíaco é mais requisitado e precisa bombear mais sangue para o corpo. A insuficiência cardíaca não surge do nada; ela geralmente se desenvolve como consequência de outras condições que agridem o órgão lentamente, como a hipertensão, o diabetes, problemas nas válvulas cardíacas, a doença de Chagas ou como sequela de um infarto anterior. A condição é ainda mais frequente em idosos e mulheres.

O grande perigo da falta de tratamento é a gravidade da evolução da doença. O paciente que não se cuida pode sofrer com múltiplas internações hospitalares e enfrenta um risco de mortalidade expressivo, estimado entre 30% e 50% em um período de cinco anos. O diagnóstico, no entanto, é simples e começa na consulta com o especialista, podendo ser confirmado por exames acessíveis como raio-x do tórax, exame de sangue e ecocardiograma, que é o ultrassom do coração.

A boa notícia é que a insuficiência cardíaca pode ser controlada com medicamentos, e os principais remédios para o tratamento são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A SBC alerta, porém, que cerca de 25% dos casos de piora grave acontecem porque os pacientes interrompem o uso da medicação por conta própria. Além dos remédios, a prática de atividades físicas supervisionadas e a reabilitação são fundamentais para devolver a qualidade de vida ao paciente. Todas as novas recomendações e as evidências científicas mais recentes para o combate à doença serão reunidas na nova diretriz brasileira que a entidade lançará em outubro, durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, no Rio de Janeiro.

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