sábado, 27 de junho de 2026

Candidata do PT troca vermelho por roxo e “esconde” Lula

A candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo de Roraima na eleição suplementar, Nelita Frank, adotou uma estratégia de comunicação visual e política que se distancia dos padrões tradicionais de sua legenda. Em suas redes sociais e materiais de campanha, as cores roxo e rosa ganharam o espaço que historicamente pertence ao vermelho. Além disso, a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido evitada, aparecendo em apenas uma única postagem voltada a destacar a importância de parcerias e repasses de recursos federais para o desenvolvimento do estado.

Essa reformulação na publicidade busca aproximar a candidata do eleitorado local, já que Roraima se consolidou como um forte reduto do ex-presidente Jair Bolsonaro, que conquistou mais de 76% dos votos válidos no estado na disputa presidencial de 2022. Para contornar a resistência partidária na região, a campanha de Nelita preferiu direcionar o foco para depoimentos de professores, lideranças indígenas e propostas de forte apelo social, como o combate ao garimpo ilegal, a redução da violência, o apoio à fiscalização do meio ambiente e a proteção de mulheres e crianças.

A candidatura da petista de 66 anos passou por mudanças recentes, após ela assumir o posto no dia 1º de junho em substituição à professora Antonia Pedrosa, que corria o risco de ter o registro barrado pela Justiça Eleitoral por prazos de desincompatibilização de cargo público. Como a troca ocorreu após o fechamento do sistema de preparação e lacração dos equipamentos de votação, os eleitores que comparecerem às urnas no próximo domingo, 21 de junho, ainda verão a foto e o nome de Antonia na tela da urna eletrônica, embora o voto seja contabilizado para Nelita.

A nova votação para o comando do Palácio Senador Hélio Campos foi convocada de forma extraordinária pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A corte determinou a cassação do mandato do antigo governador Edilson Damião, do União Brasil, no fim de abril, após identificar a prática de abuso de poder político e econômico durante a campanha eleitoral de 2022, o que invalidou o resultado daquele pleito e obrigou a realização desta nova eleição.

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