terça, 7 de julho de 2026

Caminhoneiro aprende marcenaria sozinho e constrói mais de 1,7 mil casinhas para animais de rua

Foto: Reprodução/TV TEM

Um motorista de caminhão decidiu usar seu tempo livre para transformar um terreno em uma oficina solidária com um objetivo nobre: proteger cães e gatos abandonados. Em quase três anos de dedicação, Leomar Aparecido Miguel já fabricou e doou mais de 1,7 mil casinhas de madeira para livrar os animais do frio e da chuva em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. A ideia do projeto surgiu de forma despretensiosa, dentro da cabine de seu caminhão durante uma noite de forte tempestade, quando Leomar percebeu que, embora muitos bichos de rua ganhassem água e comida, eles não tinham um lugar seguro para se abrigar.

Sem qualquer conhecimento prévio sobre marcenaria, o caminhoneiro correu atrás e aprendeu todo o ofício sozinho. Hoje, a oficina improvisada virou o centro de uma grande corrente do bem que atende a cerca de dez pedidos diários de socorro. O impacto das doações transforma a vida de famílias de baixa renda e de protetores de animais da região. A dona de casa Valdenice da Silva Gomes, por exemplo, não tinha condições financeiras de comprar um abrigo para seus dois cães e precisava usar uma mesa velha no quintal para tentar protegê-los. Ao receber a estrutura nova e colorida de Leomar, ela comemorou o alívio de ver seus animais finalmente protegidos das mudanças do tempo.

O projeto também se tornou um pilar de apoio indispensável para os cuidadores independentes da cidade. Perto do estádio Teixeirão, um ponto que concentra cerca de 15 gatos desabrigados, as casinhas foram instaladas para mudar a realidade do local. A voluntária Cleuza Mantovani Diniz, que há uma década percorre dezenas de bairros para alimentar os animais de rua, relata que antes das doações era comum ver os bichos se escondendo no mato alto sob temporais, uma cena que cortava o coração de quem cuida.

Além de dedicar o seu suor e as horas de folga na fabricação, Leomar faz questão de realizar todas as entregas dos abrigos sem cobrar nada. Toda essa estrutura gera um custo alto, que chega a R$ 4 mil por mês entre materiais e transporte. Embora o projeto receba algumas doações de apoiadores, o dinheiro arrecadado ainda não cobre todas as despesas, o que faz com que o caminhoneiro e sua esposa tirem recursos do próprio bolso para não deixar a iniciativa parar. Para Leomar, ver os cães e gatos acolhidos e em segurança é o único pagamento que importa, garantindo que o retorno emocional dessa missão não tem preço.

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