

O prefeito de Votuporanga, Jorge Seba, sofreu uma importante derrota política na Câmara Municipal durante a sessão realizada na noite desta segunda-feira. Por 13 votos a 1, os vereadores decidiram derrubar o veto total do Executivo a um projeto de lei que garante o fornecimento de medidores contínuos de glicose para crianças de 2 a 12 anos que possuem diabetes tipo 1. Com a decisão, a proposta — que beneficia famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico — segue agora para ser assinada e transformada em lei, mesmo contra a vontade inicial do prefeito.

A proposta, de autoria do vereador Marcão Braz, foca em uma tecnologia moderna: um sensor fixado no braço que envia o nível de açúcar no sangue diretamente para o celular, eliminando a necessidade de várias picadas diárias no dedo para o controle da doença. O parlamentar defendeu a medida na tribuna, destacando o impacto humano da iniciativa ao evitar o sofrimento das crianças e facilitar o monitoramento constante feito pelos pais. Segundo dados da Secretaria de Saúde citados pelo vereador, cerca de 20 crianças na cidade se enquadrariam nos critérios clínicos para receber o aparelho.
Para vetar o projeto originalmente, o prefeito Jorge Seba apresentou justificativas técnicas e jurídicas. A administração municipal argumentou que o sensor não faz parte da lista nacional de materiais fornecidos pelo SUS e que o limite de idade de 12 anos seria “inadequado”, pois interromperia o tratamento de forma abrupta assim que a criança completasse 13 anos, sem que a saúde dela tivesse mudado. Além disso, a prefeitura alegou que usar apenas a condição financeira (CadÚnico) como critério poderia gerar distorções no acesso ao serviço de saúde.
A votação na Câmara, no entanto, mostrou que os argumentos da prefeitura não convenceram a maioria dos parlamentares. O único a votar a favor do veto do prefeito foi o vereador Mehde Meidão, evidenciando um momento de isolamento político do governo municipal em relação a este tema. O resultado foi recebido como uma vitória para as famílias que dependem do serviço público para tratar a diabetes tipo 1, uma condição crônica em que o corpo não produz insulina e exige vigilância rigorosa para evitar complicações graves.







